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Notas de Tradução (1)

Nada melhor que ler um livro na língua original. Quem nunca ouviu essa frase? Mas bem provavelmente poucos leitores conseguirão ler autores como os russos Tolstoi e Dostoievski nos seus originais e ainda, mesmo que o inglês seja a língua da globalização, nem sempre é fácil de encarar com destreza um Ulisses do James Joyce, por exemplo.

Cada língua possui sua gramática, suas expressões idiomáticas, gírias e afins que a tornam justamente um conjunto linguístico próprio e significativo. E no momento de grandes textos, sejam ficcionais ou técnicos, serem vertidos para uma outra língua, afim de se tornarem acessíveis, surge um profissional que é uma espécie de mágico das palavras, o tradutor.

Traduzir é trair citaria um dos autores mais traduzidos – e um dos tradutores mais prolíficos no mundo – o italiano Umberto Eco. Para o filósofo, a tradução mais próxima da perfeição seria aquela em que o texto chegasse ao leitor com o mesmo efeito do original. Mas sabe-se muito bem que para tal feito, muitas permutações são necessárias ao longo do processo na passagem de uma língua para outra, além de detalhes que não escapam aos olhos do tradutor mais íntimo na obra de determinado autor.

O ato de traduzir vai muito além de verter um texto ríquíssimo de uma língua original para a sua língua de chegada. O profissional tem a árdua tarefa de tornar esse texto tão original como se tivesse sido escrito especialmente para a língua traduzida. Parece complicado de entender à primeira vista, afinal nem sempre se lê um texto traduzido levando em conta a dimensão de como ele foi escrito em determinado contexto e vasto conjunto linguístico de cada idioma.

Com a prática da leitura de obras em mais do que um idioma, fica naturalmente mais claro que o papel do tradutor é extremamente importante e principalmente, que o conhecimento dele em torno da obra e do autor são quase como premissas básicas para que determinada obra seja original, mesmo que em diversos idiomas.

Um bom exemplo de paixão do tradutor pelas obras traduzidas é o do poeta curitibano Paulo Leminski que traduziu obras dos idiomas mais diversos que vão desde o latim, passando pelo inglês e alcançando auge de línguas como o russo e o japonês. O poeta e tradutor afirmava que suas traduções eram um tanto egocêntricas, querendo satisfazer a si próprio e assim carregava – e carrega – muitos fãs pelo seu estilo pessoal de traduzir.

Leminski afirmava que o contexto em que determinada obra foi escrita era uma premissa básica para se pensar a tradução. Não à toa, Pergunte ao Pó, do americano John Fante e até Satiricon, obra clássica latina, do prosador romano Petrônio, ambas editadas pela Brasiliense, são consideradas traduções tão vivas e atuais como a linguagem usada hoje. O curitibano dizia que não lidava com necrófilos, ou seja, se era para traduzir um texto ele deveria fazer pleno sentido no hoje.

A expressão de que traduzir é trair, usada por Eco, só deixa claro que o ato da tradução é um tudo ou nada. Traduzir não é interpretar, é entender os nuances linguísticos de uma língua para outra e se fazer entender, saber fazer as trocas equivalentes sem se colocar como intérprete de determinada obra. Os efeitos no leitor são muito importantes e o papel do tradutor vai além de mero intermediário de duas línguas, ele é o co-autor, uma espécie de comparsa do autor. Quando você lê uma obra traduzida, está na verdade lendo dois trabalhos.

E você, o que pensa do papel do tradutor?

Graças a esses profissionais podemos ler e compreender obras de outras línguas como uma experiência única. A Joaquim Livraria & Sebo sugere algumas obras com traduções imperdíveis, veja quais são e venha conferir na loja física:


Traduções de autores russos pela Editora 34 – A editora conta com uma bela equipe de tradutores para trazer as melhores traduções de autores russos, uma das línguas mais difíceis de se conseguir boas traduções.


Traduções de Modesto Carone, pela Companhia das Letras, do tcheco Franz Kafka.


Traduções de Paulo César de Souza, pela Companhia das Letras, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche

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