JOAQUIM

Livros & Discos

Literatura e Cinema: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

Qual ávido leitor nunca sonhou em sentar num café parisiense lendo seu livro favorito? A capital francesa sempre inspirou a Literatura, o Cinema e foi, durante muito tempo, a capital vanguardista de todo movimento artístico. Na década de 20, Paris era o refúgio para os inconsolados artistas que, não encontravam apoio na América e outros países envolvidos em guerras, se reuniam para discutir e compartilhar trabalhos vivendo a efervescência da cidade.

Meia Noite em Paris, filme de Woody Allen, é uma espécie de ode às principais figuras dos movimentos literários, musicais e artísticos da chamada década de ouro do século passado, os anos 20 e suas épicas vanguardas. O longa é o primeiro filme do diretor a permanecer mais tempo em circuito comercial e ficcionaliza a biografia de alguns artistas de forma muito caricata e divertida.

Em pleno 2010, Gil Pender é um escritor frustrado que escreve roteiros – que segundo ele próprio são comerciais e bobos – para a fábrica cinematográfica de Hollywood. Gil acredita que Paris é o lugar-inspiração para uma verdadeira vida de escritor, afinal seus ídolos deram luz a incríveis obras sob a aura da capital francesa. Na França a passeio, Gil mergulha de forma onírica àquela Paris que ele – e praticamente todos os leitores – sonhou lendo as linhas de Paris é uma Festa de Ernest Hemingway ou os ótimos relatos de Gertrude Stein e sua relação crítica com os artistas da época em Paris, França.

Toda a aura mítica das histórias e relatos daquela época é mostrada na grande tela de forma muito caricata e onírica. Como por exemplo a ótima Kathy Bates interpretando a crítica e escritora Gertrude Stein, sempre abrigando em sua casa escritores e artistas como Picasso e Hemingway. Ou o próprio Ernest, como galã e conquistador, mas
completamente neurótico e abalado pelas guerras como relatam as histórias.

Assistir Meia Noite em Paris não é ver uma adaptação de determinada biografia ou obra pré-existente. É simplesmente dar vida a algumas das histórias contadas, escritas e relatadas sobre a grande movimentação que Paris inspirava na década de 20 e que refletiu inclusive no Brasil, impulsionando em muito a literatura nacional. Claro que o longa vai além de apenas trazer um personagem em contato com os seus ídolos de forma mágica, colocando ainda na discussão a valorização do passado em relação ao presente, que particularmente hoje é recorrente nos debates sobre a produção literária atual.

Um dos pontos chaves do longa é a relação que o leitor cria quando lê determinada obra. Talvez existam muitas teorias psíquicas sobre a identificação e há aquelas que se dedicam a entender a recepção da leitura nos estudos literários, mas, como leitores sabemos que nenhuma explica de fato o universo que criamos a ler uma boa ficção. É inevitável a criação de laços, mesmo que momentâneos durante o período de leitura, com o enredo, personagens e autor da obra. Tudo isso faz parte da construção da ficção e do leitor em si, ou seja, faz parte do universo ficcional de cada um. E assistir Gil Pender convivendo com aqueles escritores e artistas é como dar vida aos nossos próprios sonhos de leitor.

Em tempos que a discussão em torno do livro, leitor e autor giram no mercado editorial e no seu futuro, Meia Noite em Paris é uma declaração apaixonada para os olhos e ouvidos de leitores aficionados. Woody Allen permite um encontro épico entre o leitor/escritor moderno e os ídolos como Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Dalí, Gertrude Stein, Buñuel e todas aquelas figuras icônicas da época. Saímos do cinema querendo ao menos ter um dia de Gil Pender.

*Você pode ler a crítica completa do filme aqui

Dicas de livros na loja física da Joaquim Livraria & Sebo:

O Grande GatsbyF. Scott Fitzgerald
Paris, FrançaGertrude Stein

Outra dica é a exposição Paris, La Nuit do fotógrafo Brassaï , no MON – Museu Oscar Nyemeyer, em Curitiba

Anúncios

Navegação de Post Único

Uma opinião sobre “Literatura e Cinema: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

  1. Pingback: E aí Gilles, Deleuze? « JOAQUIM

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: