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30 anos sem Glauber Rocha

“O que interessa é a criação. A linguagem estabelecida, em qualquer arte, cansa.”

Glauber Rocha é o nome que, na década de 60, colocou a expressão Cinema Novo em pauta e construiu uma carreira sólida, com repercussões dentro e fora do país. A busca do cineasta era uma nova estética cinematográfica focada na crítica social e reflexão sobre as condições de um país que passava por uma tensa ditadura militar.

Após 30 anos da morte do cineasta – completos nessa segunda, dia 22 – os conceitos colocados em discussão por ele, sobre a necessidade de uma nova estética sobre o audiovisual, ainda fazem parte das tentativas de consolidação do cinema brasileiro. Glauber atravessou a ditadura militar filmando e apoiando o Cinema Novo inspirado na Nouvelle Vague francesa. E mesmo que no Brasil seus filmes fossem tachados de herméticos e subversivos, ele arrancava elogios e palmas por festivais mundo afora como em Cannes.


Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro são os três longas que marcaram a carreira do cineasta baiano. Todos os três refletem um olhar apocalíptico de Glauber perante as condições sociais vividas no país no campo da política totalitária, nas mazelas e depressão da classe média urbana e na desastrosa situação social vivida no nordeste brasileiro. Se você quiser se aprofundar mais no cinema e estética de Glauber Rocha, recomendamos a leitura de A épica eletrônica de Glauber – Um Estudo Sobre Cinema e TV, editado pela UFMG, um estudo sobre o cinema e a relação com a realidade que ganha formas através de filmes de estrangeiros como Vertov e Rossellini e se completa com os clássicos do cineasta brasileiro.

Mas não era só de preocupação em produzir um cinema esteticamente diferente e carregado de opiniões que vivia Glauber Rocha. Ainda, se preocupava com o movimento cineclubista e estimulava a independência das produções nacionais, criando a sua própria produtora. Mantinha uma prolífica troca de cartas com muitas figuras como Caetano Veloso, Jorge Amado e o cineasta Nelson Pereira dos Santos. Desabafos, novos projetos e consolidação de ideias foram reunidas em Cartas ao Mundo – editado pela Cia das Letras.

Um cinema por si só performático e repleto de referências, alguns cineastas míticos do estilo como o chileno Alejandro Jodorowsky consideram o brasileiro um dos mais interessantes realizadores que já houve na história da sétima arte. Glauber queria mudar o que se entendia pelo ato de filmar e acreditava que a arte carecia de novas escolhas, sem regras preestabelecidas e com sentidos mais profundos, que tocassem pontos mais importantes. Um livro que analisa a filmografia do diretor por perspectivas de estudos cinematográficos com um olhar até poético é Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome, de Ismail Xavier, lançado pela Cosac Naify.

O cineasta morreu em 1981, no Rio de Janeiro, vítima de uma suposta septcemia e estava exilado em Portugal por muitos anos por conta da Ditadura Militar. Deixou, além de seus filmes impactantes, um vasto material de textos e reflexões sobre o Brasil e sua produção cultural. A Ditadura Militar pode ter abafado, por hora, as manifestações e a voz de Glauber e o grupo do Cinema Novo. Mas os filmes e trabalhos da época permaneceram para que hoje possamos ter nossas próprias visões e ainda questionarmos a influência de suas ideias na produção atual.

Todos os livros citados aqui também estão disponíveis na loja física – ou Estante Virtual – da Joaquim Livraria, não deixe de conferir.

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2 opiniões sobre “30 anos sem Glauber Rocha

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