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Em busca do Paraíso Perdido pelos muros de Curitiba

Ao andar pelas ruas de qualquer centro urbano, prestando atenção nos muros e espaços preenchidos por desenhos, cartazes e os mais variados estilos de arte, parece que essa movimentação artística é um apelo extremamente contemporâneo. Mas não é, a necessidade do homem de sinalizar os sentimentos e necessidades datam desde os tempos mais longíquos como provam os estudos de Antropologia e História.

As paredes das cavernas deram lugares às construções e a arte de rua gerou novas proporções tornando o espaço menos vazio e mais identificável com os transeuntes. O livro Em Busca do Paraíso Perdido, do sociólogo Angelo José da Silva, Curitiba é o espaço geográfico identificado pelos poucos mais de 50 textos imagéticos escolhidos – assim definidos pelo autor – sendo que cada conjunto (capítulo) de imagens é colocado em um patamar de referenciais cinematográficos que criam uma reação em cadeia na perspectiva do leitor/visualizador. E não é um pouco disso a arte de rua? Um emaranhado de vozes e opiniões dividindo um mesmo espaço?

A Street Art da capital paranaense, vistas pelos olhos de uma tríade de sociólogo/fotógrafo e acima de tudo, espectador andante, ganha outros ares. Logo na introdução de Em Busca do Paraíso Perdido, Angelo nos localiza dentro de um verdadeiro Paraíso Perdido como já relatara a Gênesis da Bíblia e a obra hômonina do poeta inglês John Milton. Para o sociólogo as imagens que correm os muros, postes e outras edificações urbanas nos unem a ponto de não sermos sozinhos, tanto ao percorrermos os caminhos como criando esses códigos no concreto, em busca de alguma ligação de conhecimento. As imagens nunca aparecem por acaso, sempre fazem referência a elementos do cotidiano sejam de cunho ideológico, corriqueiro ou apenas simbólico. Vê-se texturas de paredes e outros elementos arquitetônicos se misturando e fazendo parte das intervenções, como se a cidade falasse por si só. O livro desmistifica a visão sobre a arte feita por grafiteiros e artistas que exibem seus trabalhos nesse território público, os colocando num campo social e de manifestação.

As fotos propostas no trabalho datam de um período de 10 anos, com uma câmera analógica, os filmes escaneados e então transpostos em telas de serigrafia. Todo o processo, ainda, se aliou ao trabalho artesanal do livro (costura, montagem e afins) e editado, com todas essas etapas manuais, pela editora Caderno Ilustrado, de Curitiba. Inclusive, o editor e encadernador Daniel Barbosa já fez parte do movimento de arte de rua de Curitiba e assina o prefácio-depoimento de Em Busca do Paraíso Perdido.

O processo de arte urbana é uma espécie de linguagem universal, mesmo que algumas imagens venham acompanhadas de frases em determinadas línguas. Como já dito anteriormente, essa necessidade de simbolizar os acontecimentos e expressões datam remotas épocas e se misturam com o emaranhado de informações que hoje somos exageradamente expostos. Angelo dá conta de transmitir uma pequena amostra do que sentiu e reconheceu nos últimos 10 anos andando por Curitiba.

Por conta do processo artesanal o livro conta com apenas 200 cópias e todas enumeradas e assinadas pelo autor. Dessas duas centenas, cinquenta são vendidas em embalagem especial de madeira. Não deixe de conferir de perto as edições disponíveis na loja física da Joaquim!

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