JOAQUIM

Livros & Discos

Arte de rua Literária

Sentado não tem sentido


O Torto tem direito


Já escreveria por algum muro o nosso maior poeta e tudo-ao-mesmo-tempo curitibano, Paulo Leminski. Já declaramos um pouco do nosso amor pela arte de rua quando resenhamos o livro Em Busca do Paraíso Perdido, de Angelo José da Silva que retrata os muros curitibanos. Bisbilhotando pela web acabamos encontrando essas belas manifestações mundo afora (via Flavorwire) com o rosto e frases de escritores famosos. Para um senso comum até parece impossível associar livros e o ato de ler com artistas de rua. Mas isso, além de ser um mito também não permite que observemos com mais atenção o emaranhado de ideias e vozes expostas nas paredes das grandes cidades.

 

Frases de Leminski pichadas em Curitiba

O ato de ler em si, apesar de aparentemente ser um prática solitária , tem um efeito interno e particular de cada leitor que expõe isto da forma que melhor lhe convém. Alguns escrevem, outros apenas refletem sobre o que leram e há os que não querem calar a voz e se manifestam. Nesse vídeo, lá pelos idos de 1987 ou 1988, Paulo Leminski fala da sua relação com o grafite, principalmente com o da capital Paranaense.

Observe que Leminski trata o grafite como uma manifestação poética onde, ao invés do papel, a parede branca e pública é o meio. Citando Foucault o poeta afirma que o meio urbano é como as paredes de um presídio onde necessitamos de voz e expressão mas temos regras a seguir e portanto, somos calados e marginalizados por expressar ideias e opiniões em um ambiente tão explicito.

¨A Rua é daqueles que passam¨

foto por Magnon de Oliveira Almeida

Ainda, Leminski admite que fez seus próprios grafites e de fato achava mais bacana um poema na parede do que esquecido num papel. O artista multimidiático e suas ideias avessas foram parar inclusive, na Academia. A pós-graduanda em História da Arte, Juliana Cristina Silva estuda Literatura e Fotografia em Curitiba e usa o trabalho 40 clics em Curitiba (uma bela edição que tinha os aqui) para tratar essa relação. Para tal, a Juliana pretende grafitar (com stencil) a imagem do escritor pelos 40 lugares que Leminski fotografou. O primeiro foi na Boca Maldita, no centro de Curitiba e ela já nos conta que colocaram um banco em cima da imagem, mostrando que a expressão urbana ainda é mal vista.

Mas, o fato verdadeiro é que o movimento de arte de rua é poético por si só, seja uma poesia visual, fazendo referência a algum escritor com ideias consistentes – Asimov, logo abaixo, com suas ideias visionarias – ou ligações entre o ontem e hoje (Shakespeare e um rayban) e claro, as frases de impacto, haicais e poesia num estado puro e certeiro com poucas palavras e muito peso. A junção do cotidiano urbano com palavras e imagens que representam um universo imaginativo e formado por palavras dá uma dimensão maior ainda, uma espécie de grito para demonstrar que todos estão atentos.

Dostoiévski

Mais do que nítido que a arte de rua se associa facilmente a ideologias, utopias, ficções e afins, né? Muitos projetos associando a poética e as manifestações de arte urbana andam ganhando vida. Um deles é o Sprays Poéticos que vai a lugares abandonados levar um pouco de arte e poesia para o que resta de paredes e muros em São Paulo.


Damos a dica de que quando você ver um muro com algum desenho, frase ou poesia que lhe chame atenção, fotografe! Mesmo que a arte de rua, seja na maioria dos casos, efêmera, temos certeza que ela permanece na lembrança dos olhos atentos que passam pelas ruas todos os dias.

Dicas de livros de street art direto da estante da Joaquim:

Street Art, da Editora H.Fulmann

Graffiti de A a Z, da editora Booqs

Em Busca do Paraíso Perdido, pela editora Caderno Listrado

TresPass, da editora Taschen

Catálogo da exposição de Osgemeos, pelo Museu Oscar Niemeyer

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