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Livros & Discos

Livraria City Lights, a livraria dos Beats

Quem acompanha o mundo livresco sabe que anda rolando uma moda de escolherem as mais belas livrarias do mundo, certo ? Então pensamos em fazer a nossa própria lista. Várias delas você vai perceber que são a cara da Joaquim, não podemos negar que rola uma identificação com cada uma e você vai entender o por que durante os posts ao longo do ano. Vamos logo conferir a primeira?

A livraria City Lights fica numa esquina com a viela Jack Kerouac, North Beach em San Francisco, nos Estados Unidos. Com essas informações você já consegue imaginar o tipo de relíquias que esse lugar guarda, né?

Boa parte dos escritores Beats em frente a City Lights

Fundanda em 1953 a City Lights é um conceito das cabeças do poeta/artista Lawrence Ferlinghetti e Peter D. Martin que tinham ideias muito ousadas para a época. Era o começo da popularização dos livros nos Estados Unidos e o o formato do paperback (as famosas edições de bolso e com papel mais barato) ainda circulava em lugares como padarias, postos de gasolinas e supermercados. Aí que os dois resolveram criar uma livraria especializada nesse formato, além de títulos raros e diferentes em literatura, artes e política progressista.

¨pegue uma cadeira e leia um livro¨

Não demorou muito para que a livraria, cheia de ideias alternativas, virasse ponto de encontro de escritores no começo de carreiras e pequenos grupos. Logo, além de reunir títulos raros, também se tornou um selo/editora e foram os primeiros a publicarem obras de escritores que não encontravam lugar no mercado editorial. Nesse momento que os beatniks/beats aparecem, Howl, por exemplo – famoso Uivo por aqui – de Allen Ginsberg teve uma primeira edição pela City Lights numa coleção chamada Pocket Poets Series. Com o tempo a City Lights se tornou referência em edições de autores da contracultura de várias áreas e também em primeiras traduções para o inglês, Pablo Neruda é um belo exemplo de edição pelo selo.

Seção especifica de Literatura Beat

Como está na apresentação do próprio site, a City Lights se tornou um marco literário onde os ônibus de turistas paravam em frente em busca dos beats e livros com muita história para contar. Primeiramente a livraria se acomodava em apenas um andar e ao longo desses 50 anos ocupa o prédio todo e o dono continua sendo Lawrence Ferllinghetti que não cansa de contar os inúmeros eventos, leituras e encontros marcantes da história literária que aconteceram por lá.

Sala de leitura até hoje

Nas fotos que ilustram esse post você pode ver o quão incrível é o lugar. Além de bonito e manter o estilo hoje considerado vintage, a livraria mantém firme o pé na contracultura colocando vários cartazes e frases pelo estabelecimento com dizeres do tipo Pessoas não são produtos entre outras manifestações. Ainda, as seções seguem nominações diferentes do normal, prateleiras somente para os Beats, entre outras, mostram alguns motivos que mantém vivas essas inspirações pelas livrarias independentes.

E acredite, a City Lights se mantém até hoje e continua independente. Com certeza um oásis em meio a grandes redes de livrarias dedicadas aos best sellers e pouco interessadas na diversidade editorial. Nominada como marco histórico da cidade de San Fracisco, desde de 2001, Ferlinghetti ao longo dos 92 anos ainda mantém firme a ideia da City Lights:

“Num tempo em que o consumo dominante de TV dirige a cultura e a vida das pessoas para um resultado desastroso de estupidez (‘dumbing down’) na América do Norte, City Lights ainda põe o dedo no buraco da ferida e provoca um fluxo de pensamento e aprendizado instigante sobre o desconhecido.”

diz o remanescente dos Beats.

Onde fica: 261 Columbus Avenue (entre a Broadway & a viela Jack Kerouac) – San Francisco,California

No Brasil, os beats foram editados primeiramente pela Brasiliense e hoje em dia você consegue uma boa parte dos títulos pela gaúcha LP&M.

Alguns títulos que você encontra na Joaquim:

Jack Kerouac: On The Road, Big Sur, Livro dos Sonhos e Viajante Solitário – Todos editados pela LP&M

William Borroughs – Almoço Nu – Edição clássica do Círculo do Livro

Allen Ginsberg – O Uivo – Pela gaúcha LP&M

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2 opiniões sobre “Livraria City Lights, a livraria dos Beats

  1. William em disse:

    uau… ao ver esta foto fui na Joaquim e voltei! Muito legal esta ideia de mostrar belas livrarias pelo mundo e dar vontade de conhecer todas elas. parabéns pelo seu trabalho!

  2. Pingback: Community Bookstore, uma das últimas livrarias bagunçadas de NY | JOAQUIM

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