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No Bourdieu ¨as minas piram¨

¨A Sociologia é um esporte de combate¨

Calma, não deixe que o título do texto te influencie de alguma forma. O bonitão da foto aí em cima – capa da edição 128, de setembro de 2008, da revista Cult – é um dos sociólogos franceses mais respeitados entre várias áreas do pensameto, Monsieur Pierre Bourdieu. Quase quatro anos depois a revista brasileira traz ele de novo como capa de março e nós, da Joaquim, aproveitamos para falar de um dos nossos top 5 de vendas.

Respeitando o histórico de grandes nomes do pensamento contemporâneo terem vindo da terra da torre Eiffel, Pierre Bordieu (1930 – 2002) foi um dos mais prolíficos e polêmicos pensadores transitando entre áreas como cultura, educação e política, só para citar três. Onde há discussão no entorno da interação social, Bourdieu vai estar presente de uma forma ou de outra afirmando que a figura do sociólogo é estar engajado na transformação social apontando os mecanismos que que denunciam as dominações simbólicas.

Em O Poder Simbólico o francês discute, em uma série de textos, justamente os mecanismos que achamos ser simples heranças culturais, econômicas e etc. sem muita discussão. O fato que quase ninguém está acostumado a discutir os valores culturais passados dentro de uma sociedade era justamente onde ele enxergava nitidamente as discussões em torno dos conceitos de cultura. Para Bordieu não existia nada mais brega que afirmar ¨gosto não se discute¨, dizia que o gosto por determinado estilo literário, cinematográfico ou musical vinha de uma série de raízes sociais como família, vizinhos e todo o rol de pessoas que você cria laços de convivência. Você pode muito bem gostar de rock e seus pais preferirem um som da mpb, pois provavelmente você teve mais contato e acesso a outros estilos musicais.

Habitus: sistema de de disposições, ações e percepções que os individuos adquirem com o tempo e suas experiências sociais, em todos os campos delas.

Esse conceito de cultura enraizado nas dominações simbólicas e pouco discutidas, ajudou Bourdieu percorrer vários campos da comunicação e educação, discutindo a fundo os meios idealizados. Em Sobre a Televisão, que contém três textos, sendo dois reproduções de um curso, o francês alerta para a censura criada pelos canais na escolha de grades de programas. E é também partindo da ideia de que há um senso comum de cultura e que o telespectador aceita tudo passivamente, que ele afirma que a TV classifica as pessoas socialmente. Algo nitidamente percebido se você transitar entre canais abertos numa tarde qualquer em que a programação parece subestimar quem está do outro lado.

Como já deu para perceber, Bourdieu trabalhava fielmente nos problemas voltados às desigualdades sociais, sejam em qual campo forem. Um dos best-sellers do escritor por aqui é o Dominação Masculina onde ele levanta as questões de ordem de gênero afim de que haja uma ação coletiva de resistência feminina contra dominações já históricas, simbólicas ou não, do masculino na sociedade. Dá para entender um pouco da fama de gentleman do francês, né?

É praticamente impossível conseguir dar uma visão geral da obra do pensador que foi polêmico até no meio acadêmico. Bourdieu acreditava que faltava mais prática e conhecimento de causa na Universidade. Inclusive, reunia grupos de pesquisadores focados para denunciar mecanismos falhos que geravam uma sociedade desigual. Uma das obras mais conhecida é A Miséria do Mundo, produto coletivo com mais de 600 páginas e uma infinidade de edições pelo mundo, que chama a atenção para os sofrimentos causados pelas bruscas transformações capitalistas do último século.

Com certeza, além de charmoso, Pierre Bourdieu era um inovador em vários campos. No Brasil, tivemos o privilégio de termos contato com ele ainda na década de 70. Ainda hoje ele é um dos pensadores mais lidos na área de Humanas e repercussão muito além da academia. Se você se interessa por reflexões nos campos de dominação simbólica, cultural, econômica ou simplesmente quiser entender os mecanismos da sociedade vigente há sempre um Bourdieu perfeito para você!

Todos os títulos citados são encontrados aqui na Joaquim além desses aqui:

A Distinção
A economia das trocas simbólicas
A produção de crença
A reprodução

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