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Rock Atitude – Parte 1

Se você pudesse responder rapidamente: o que te faz gostar do bom e velho rock and roll? Alguns falarão dos instigantes riffs de guitarra, da energia que o som passa, outros do estilo de se vestir e há quem vá mais longe ainda falando das letras, em boa parte, sinalizando opiniões, sentidos, sentimentos, histórias e atitude. Sim, atitude no sentido estrito da palavra, o verbo agir pulsando nas mãos com acordes, nos cabelos se movendo e na roupa que expõe os pensamentos, opiniões e ideologias. Nada comum então você ler a palavra atitude estampada em boa parte das camisetas que referenciem o estilo, afinal, qualquer fã diria que isso é uma premissa básica para ser fã de rock. Pois bem, que tal darmos alguns exemplos sólidos de que o rock movimenta multidões à favor de uma causa?

A data de 13 de julho como a comemorativa do Dia do Rock vem justamente de uma movimentação em favor de algo. Em 1985 aconteceu o Live Aid, um festival organizado por Bob Geldof, um dos caras que deu o pontapé na ideia de concertos humanitários, que rolou em dois lugares simultâneos e ainda foi transmitido ao vivo pela BBC, deixando claro que estavam ali para que o mundo abrisse os olhos para a situação dos países africanos. Afinal, quem não ligaria a TV para ver caras do porte de The Who, David Bowie, U2 e afins e de quebra ser apresentado à um mundo que não aparecia muito na TV?

Mas o evento em 85 não foi a primeira movimentação artística a carregar causas grandiosas como celebração à consciência dos fãs de rock. Quem não vai lembrar da definição de “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música” que o Festival de Woodstock carregava em 1969?

O período era fértil para situações grandiosas. Por um lado a música via o jazz e o blues se transformando em riffs de guitarra e ganhando ainda mais corpo com uma sonoridade enérgica. Grandes bandas eram formadas em vários cantos do mundo, mas a Inglaterra e os E.U.A. pareciam verdadeiros celeiros do gênero. O Rock surgia como música que guardava crítica nas suas letras, muitas vezes de forma poética e performática. Por outro lado, os E.U.A. passa pela Guerra do Vietnã, uma batalha sem muito motivo, que se arrastou por anos deixando um saldo enorme de mortos por todos os lados. O movimento hippie, que descendia inclusive dos beatniks e de outros movimentos que corriam longe do american way of life, se organizava para celebrar a paz, amor e pregando a liberdade. Algumas movimentações já aconteciam pelo país e fazer uma bela junção de ideologias com bandas que transpiravam esses conceitos, eram os elementos essenciais para uma grande celebração.

Foi então que um grupo de jovens americanos, resolveram organizar um evento reunindo os maiores nomes do momento tocando e cantando pela paz. A principio, seria na cidade de Woodstock, mas o desconforto dos moradores em ter hippies acampando pela cidade não agradou e o festivou aconteceu ali perto, em Bethel.

A ideia inicial de vender uma média de 200.000 ingressos para os três dias de show foi além quando cerca de 500.000 pessoas chegaram ao evento, derrubaram cercas e fizeram do festival algo de enorme proporção. Não para menos, o festival de Woodstock guarda história de uma geração toda que celebrou a liberdade – cada qual com seu jeito – ao som de desde Ravi Shankar e a sua cítara até The Who, Jefferson Airplane, a voz rouca da Janis Joplin e a loucura da guitarra de Hendrix, que deu conta de uma performance pouco vista até então.

Antes do Festival de Woodstock houve uma ou outra tentativa de reunião de grandes nomes da música, mas nenhum teve o porte de abarcar toda uma ideologia de uma geração que sentia necessidade de contracultura, de dar um basta no conformismo das regras e situações. O rock viria para celebrar a opinião e as atitudes, para despertar sentidos e claro, manifestar.

O rock and roll por si só carrega esse conceito de ideologia e modo de vida. Mas será que basta apenas colocar uma camiseta do AC/DC, fazer um moicano no cabelo e usar o preto como manifestação?

São inúmeras as histórias que um dos nossos estilos favoritos guarda, já falamos de capas de discos banidas, das histórias inteligentes por trás de letras incríveis e se você passear pelo blog, vai encontrar muitas outras envolvendo atitude e boa música. Nesse dia do rock, ouça suas bandas favoritas, com o ruído do vinil ou não, e passeie pelas histórias que o estilo guarda. Afinal, se rock é atitude, vamos nos preencher de conhecimento! Aguarde que na semana que vem tem mais!

Leia a segunda parte

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