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Rock Atitude – Parte 2


Na primeira parte sobre a atitude no Rock falamos sobre o poder do rock and roll movimentar multidões. Não importa onde esteja, o som de guitarras parece que consegue movimentar e mudar os rumos pelos caminhos onde passa, carregando ideologias, ideias e novidades, não deixando ninguém alheio a ele.

Talvez a desconstrução dos padrões sociais e costumes sejam um dos pontos fortes do estilo. Parece que desde sempre o rock foi o hino das contraculturas que tiveram vez entre as décadas de 60 e 80. Um estilo que prega desde a mais profunda paz até hinos de guerra subversivos, não poderia passar despercebido aos olhos do senso comum, gerando suas próprias controvérsias e gêneros específicos.

No outro texto falamos das multidões que se reuniam para ver seus ídolos no palco em prol de um objetivo. O Festival de Woodstock e Live Aid, que inspirou a data do Dia do Rock, foram movimentações grandiosas no entorno de uma suposto objetivo maior, a paz ou o olhar em direção a situação alarmante da África na década de 80. O primeiro festival foi um marco no movimento contracultural que já estava se desenvolvendo durante toda aquela década. O movimento Hippie sentia a necessidade de uma grande celebração em nome da paz e do amor e encontrou no ano de 1969 a oportunidade para isso.

Grupo de motoqueiros faz a “segurança” do show dos Rolling Stones

Mas nem tudo são flores e dois dedos em riste. No mesmo ano, os Rolling Stones faziam a turnê americana do álbum Let it Bleed. No último show, em dezembro de 69, no autódromo de Altamont, por ironia da época, o grupo de motoqueiros Hell’s Angels – extremistas, alheios a qualquer movimento e favoráveis a Guerra do Vietnã – fazia a “segurança” do show. Não deu em outra, muitas pessoas feridas e a morte de um jovem negro de 18 anos, o evento se tornaria um marco no mesmo ano da celebração à paz, acabava de cair por terra o sonho hippie de harmonia. O documetário Gimme Shelter (1970) mostra outros momentos da turnê dos Stones durante aquele ano.

Todas essas situações contraditórias e ao mesmo tempo fortes da década de 60 podem ser analisadas mais de perto no livro Som da Revolução, de Rodrigo Mehreb, publicado pela editora Record. O autor analisa o curto espaço de tempo de quatro anos, que foi fundamental para toda essa geração sessentista. Como alguém que vê de fora, Mehreb diz que viu os protagonistas dos movimentos mais como personagens do que como mitos.

As contradições gloriosas, que só ficavam claras em eventos, não foram esquecidas no livro. O Festival de Música Pop de Monterey, por exemplo, aconteceu antes de Woodstock e é considerado uma prévia do que viria a ser este. Com um line up excelente – foi a primeira vez que Jimi Hendrix e The Who se apresentavam na América – ainda contava com grandes estréias como Janis Joplin, tudo organizado por produtores e uma comissão que tinha os Beatles e os Beach Boys como integrantes. Mas para Mehrer, o que causava espanto e força nesse festival era que vários artistas negros figuravam o palco para uma platéia essencialmente branca, americana e ainda com problemas raciais.

Jimmy Hendrix e Buddy Miles no Festival de Monterrey

Bob Dylan empunhando a guitarra em 1965

Outro momento marcado pela atitude foi Bob Dylan, que desde do ínicio da década de 60 sofria críticas quanto ao seu folk engajado politicamente, subiu ao palco em 1965, no Festival de Folk de Newport, empunhando uma guitarra elétrica para tocar Like a Rolling Stone. A plateia radical vaiou a música a ponto do cantor se retirar do palco e retornar com sua gaita e violão. Ironicamente, essa se tronou um dos clássicos de Dylan, que claro, não desistiu e continuou usando a guitarra e voltou para esse festival apenas 34 anos depois.

Nem só de psicodelia vivia o rock sessentista, um forte nome citado para os que seguiram outros caminhos é o The Kinks, que junto com os Beatles e outros, fazia parte da chamada Invasão Britânica, a onda inglesa na América. Afinal, o rock proporcionava essa liberdade e ninguém que curtia uma distorção de guitarra e batidas de bateria iria perder tempo, tinha vez para todos.

The Kinks

Os anos 60 foram fundamentais para a consolidação do rock – inclusive no Brasil, tivemos a Tropicália – e de como a música podia ser um forte instrumento ideológico e de transformação. Mais tarde vieram outros movimentos – não esquecemos do punk! – que foram reformulando os conceitos de Revolução. Como você vai ver no vídeo abaixo, o escritor Rodrigo Mehrer, acredita que como tudo, o rock é cíclico, sempre se reinventando.

O que você acha?

Do nosso lado, ainda temos algumas histórias para contar…

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3 opiniões sobre “Rock Atitude – Parte 2

  1. Pingback: Rock Atitude – Parte 1 « JOAQUIM

  2. Túlio em disse:

    Como se chama esse turbante na cabeça do membro dos Hells Angels? Parece que é um tipo de animal lá dos Estados Unidos. Se puder me responder. Obrigado!

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