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Patti Smith: A Rainha Poeta do Punk

 

“Jesus died for somebody’s sins, but not mine.” Início de “Gloria”, primeira faixa de “Horses”

Patti Smith aos 60 anos

Patti Smith aos 60 anos

Se houvesse uma pequena chance de você passar um dia ou manter uma simples conversa com alguma pessoa que você admira muito? E se essa pessoa tivesse muita história mesmo para contar, coisas do tipo shows em lugares que marcaram a história do rock, convivência escritores que marcaram as ideias de contracultura no século XX, lugares e outros movimentos que já estão descritos em livros de história, que tal?

Patti+Smith3Em pleno 2013, o jornalista do Guardian Simon Hattenstone passou uma tarde com ninguém menos que Patti Smith, a rainha e poeta do Punk. A matéria de Simon, que saiu dia 25 de maio, soou um pouco controversa para vários leitores. Hattenstone conta que assim que recebeu o e-mail de Andi, a assistente de Patti, já idealizou o encontro inteiro. Se viu tomando um chá e batendo um papo no famoso Chelsea Hotel, onde ela viveu com Robert Mapplethorpe e conviveu com uma série de artistas da época tais como William Borroughs. Previu uma série de passeios pela Nova York efervescente do fim dos anos 60 e a década de 70 e conversas que revelariam os bastidores da cidades durantes esses anos.

Mas Simon ficou um pouco desapontado com a visita a Patti Smith. Hoje ela tem 66 anos e é um tanto impaciente, ou mesmo nunca foi dada a pessoas perguntando sobre a sua vida e tudo que passou. Patti foi uma figura fundamental para a cena Punk nova iorquina, lançou em 1975 o seu excelente “Horses” e injetou poesia no movimento. Uma das raras mulheres da época a conviverem com um sem número de artistas, optava por um visual bem mais desleixado para o padrão do momento e não raro era confundida com homem. Aliás, foi assim que ela conseguiu trocar uma ideia com o escritor Allen Ginsberg que achou que ela era um garoto alto e magro.

Patti Smith e William Borroughs

Patti Smith e William Borroughs

Patti Smith sempre foi livre e questionadora das coisas. Cresceu na Pensilvânia, numa família simples onde o pai trabalhava numa fábrica local e era um verdadeiro devorador de livros, a mãe religiosa acabou morrendo cedo deixando Patti cada dia com menos fé na religião e mais nos livros e arte. Acabou indo para Nova York ser poeta e o resto da história sabemos muito bem que aconteceu de forma mais lenta e cheia de detalhes.

O relacionamento com o fotógrafo Robert Mapplethorpe – que se iniciou logo que ela chegou em NY – foi intenso e moldou a artista Patti Smith que estava por vir. Eles viviam como dava e cada um era para o outro os elementos inspiradores para suas próprias artes. Durante o período em que estiveram juntos se fotografaram, performaram e desenharam juntos, tudo está explícito no livro Só Garotos (Companhia das Letras) que é tão intenso que foi premiado inclusive com o America’s National Book Award, em 2010. O relacionamento acabou quando Robert assumiu que era homossexual mas continuaram grandes amigos, o que não evitou que Patti ficasse devastada pelo seu amor.

Patti Smith e Robert Mapplethorpe

Patti Smith e Robert Mapplethorpe

Em 78 ela casou com o guitarrista Fred “Sonic” Smith, da banda MC5, e durante oito anos foi dona de casa e mãe, quase não se ouvia falar dela. Patti conta que com o grande sucesso de Horses ela não tinha tempo para ler, escrever e pensar, não podia vivenciar aquilo tão intensamente. Ela se diz bastante “careta” e que na época pensava muito sobre como grandes caras já havia morrido por conta das drogas como Jimmi Hendrix e Jim Morrison.

Hattenstone reclamou à toa da visita e tratou muitos aspectos da conversa em tom pejorativo. Assim que chegou foi convidado a ir até a casa da artista, ele descreve a casa de Smith como se pudesse ter sido desenhada por Tim Burton, complementando que ela poderia pertencer muito bem a algum aluno de Arte com papéis e instrumentos musicais pelo chão além do segundo andar contar com uma infinidade de livros e muitos materiais para produção artística. Quem não gostaria de estar no lugar do jornalista?

Patti Smith e Fred "Sonic" Smith

Patti Smith e Fred “Sonic” Smith

Patti Smith está em plena forma artística, lançou o álbum Banga em 2012, faz apresentações pelo mundo – aliás, ela é conhecida pelas ótimas performances – escreve poesia, passeia pelo mundo e se dá o direito de tratar as pessoas da forma que lhe convier. Ela comenta com Simon que teve muitas perdas desde os anos 80, primeiro com Mapplethorpe, depois seu marido, irmão e um colega de banda. Diz que passou a ver a morte de uma forma mais poética e quando o jornalista insiste em pedir para ela se tem alguma espécie de culto em relação ao fim ela nega veemente e diz que apenas aprendeu a ver ela com outros olhos. Ainda conta que ultimamente faz questão de ir a túmulos famosos por onde vai – diz que recentemente foi visitar o de Sylvia Plath – levando flores e que isso a torna mais próxima das pessoas e até uma questão de respeito.

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Ela gosta muito dos poetas, sempre sonhou que quando chegasse a NY teria uma vida digna de escritora e boêmia, não à toa conviveu com grandes nomes beats e declarou sua paixão escrevendo as letras para a sua banda. O jornalista fala que Patti parece atormentada pelos homens talentosos de sua vida o que soa bastante machista se tratando de uma das poucas mulheres que fizeram parte de períodos artísticos regados à álcool, drogas e estilos de vidas levados ao extremo e ainda assim permanecer como um trabalho grandioso tanto na música, como na arte e literatura.

E você, o que perguntaria à Patti Smith?

Vinis da Patti Smith na Joaquim:

pattismith-dreamoflife
Dream of Life – 1988

Leia mais sobre:

Patti Smith lê Virginia Woolf

*referência ao texto do Guardian
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2 opiniões sobre “Patti Smith: A Rainha Poeta do Punk

  1. Acho que ficaria TÃO, aí meu Deus, é a Patti Smith aqui mesmo!, que não conseguiria formular uma pergunta decente… 🙂

  2. Pingback: Lou Reed, por Patti Smith | JOAQUIM

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