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“Eu tenho um Sonho” há 50 anos

“…Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda…”

(Cecília Meireles, em Romanceiro da Inconfidência)

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“I Have a Dream” se tornou um mantra nos últimos 50 anos quando se fala em Direitos Civis. Em 28 de agosto de 1963, o ativista político Martin Luther King proferia uma das falas mais lúcidas e emocionantes da história do século XX. Em pé, no Memorial a Abraham Lincoln – não por acaso o presidente que proclamou a “libertação dos escravos” um século antes – , em Washington D.C. King não fez apenas um discurso à favor da união e paz entre brancos e negros. Martin, talvez já cansado pelas inúmeras perseguições que sofria a população negra, apenas contou do seu sonho, aparentemente simples, de ver negros e brancos construindo uma nação única e forte, com respeito as diferenças.

martin-luther-king1963Fazendo uso da premissa do famoso lema de sonho americano, Martin Luther King parafraseia o discurso com trechos da própria constituição americana e outras passagens bíblicas que ressaltam a força da união. Foram mais de 200 mil pessoas ouvindo o “sonho” que ficou eternizado em áudio e vídeo.

Em 1964 King foi o mais jovem ganhador do Prêmio Nobel da Paz, mas isso não foi suficiente e quatro anos depois ele é assassinado por brancos insatisfeitos com a ousadia do ativista, sem ver concretizado seu sonho.

Desde que Abraham Lincoln conseguiu a libertação dos negros escravos nos Estados Unidos, exatamente um século antes da fala de Luther King, a luta pela sobrevivência e igualdade não foi nem um pouco pacífica e simples. A segregação permaneceu de forma velada e em muitas regiões de forma escancarada, dificultando o acesso à empregos, educação entre outras condições básicas levando os negros a viverem em guetos, tornando suas vidas tão horríveis e humilhantes como quando eram meras mercadorias de latifundiários.

Muitos foram os casos assustadores nos Estados Unidos, principalmente no primeiro meio século do século XX. Mas foi no sul do país – região historicamente escravista – que pouco se escondia o ódio racista. Por exemplo, o conhecido caso Os Nove de Little Rock, em 1957, em que a estudante negra Elizabeth Eckford, de 15 anos, ficou eternizada pela lente do jornalista Will Counts, sofria humilhação pública de muitos jovens – especificamente a moça branca e de mesma idade, logo atrás na foto – que perseguiam à caminho do primeiro dia de aula na maior cidade do estado do Arkansas.

Em 1930, o professor judeu Abel Meeropol – que mais tarde seria condenado e executado por espionagem – diante do horror da execução de negros no sul do país, escreveu a canção eternizada na voz de Billie Holiday “Strange Fruit”. A música é basicamente um poema triste sobre como a própria terra – no caso, as plantações do sul – criou raízes com o sangue dos trabalhadores escravos e ao mesmo tempo serviu de túmulo para os mesmos.

Meio século depois do discurso de Martin Luther King, com pedido de união e respeito mútuo entre negros e brancos, como podemos enxergar a segregação na sociedade atual? Há de fato a liberdade de ir e vir, de respeito ou ainda ouve-se o eco de uma sociedade racista, sexista e segregadora com as minorias? O discurso de King ainda ecoa em épocas de guerras por fé, nos guetos e periferias das grandes cidades, nas regiões distantes onde as condições básicas de sobrevivência não são garantidas a sua população, aos discursos cotidianos em que ao se apontar o dedo ao outro usam-se palavras que ofendam suas origens, cor e sexo. Será que temos mesmo alguma noção do que é liberdade?

Para finalizar, a ótima Nina Simone se apresentando no Festival do Harlem em 1969, um ano depois da morte de Martin Luther King, cantando sobre uma Revolução, uma luta diária que ainda estava por vir.

Você também pode visitar um site criado especificamente para a comemoração dos 50 anos da fala de Martin Luther King, com entrevistas, imagens e cobertura completa com histórias de pessoas e eventos.

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