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The Smiths e o Cinema – Parte 1

Morrissey1Morrissey é uma das figuras mais importantes da cultura pop desde a década de 80. Com os Smiths ele tornou um dos ícones mais importantes da história do rock, e não é à toa a revista inglesa NME colocou o álbum “The Queen is Dead”, de 86 como o melhor álbum de todos os tempos, claro que assumindo toda a polêmica de uma afirmação como esta.

Com os Smiths foram ao total quatro álbuns de estúdio entre 1984 e 1987. Morrissey, além de um grande fã da banda New York Dolls e David Bowie, era extremamente influenciado por cinema e literatura. E o gosto pelo cinema ficou mais nítido nas capas dos discos da banda, sendo que os quatro trabalhos de estúdio – além dos singles e coletâneas, que trataremos mais adiante – são retiradas de cenas de filmes.

The Smiths, 1984

thesmithsthesmithsNo homônimo “The Smiths”, de 1984, a capa traz Joe Dallessandro na cena do filme “Flesh” produzido por Andy Warhol e dirigido por – coincidentemente – Paul Morrissey. Dallessandro foi um dos principais modelos de Warhol e um símbolo da cultura gay na época, em Flesh ele interpreta uma espécie de michê que anda pelas ruas de Nova Iorque atrás de clientes para poder sustentar mulher e filho. Vale lembrar que o mesmo modelo apareceu na polêmica capa “Sticky Fingers”, dos Stones, também resultado do trabalho de Andy Warhol.

Meat Is Murder, 1985

meatismurderO segundo álbum “Meat Is Murder”, de 1985, é a estreia da banda num contexto mais político e engajado. Além de deixar clara a postura vegetariana do título, boa parte das letras são bastante críticas. A capa desse álbum também não fica para trás, a imagem do soldado, repetida quatro vezes no resultado, foi retirada do documentário americano “In the year of the Pig” (algo como ‘No ano do porco’), de Emile de Antonio e trata sobre a crueza da guerra do Vietnã. Somente os dizeres originais, no capacete dos soldados, “Make War not Love”, foram trocados por “Meat is Murder”.

The Queen Is Dead, 1986

thequeenisdeadO terceiro e aclamado disco “The Queen is Dead”, de 1986, representa uma crítica a família real britânica e um questionamento as intistuições tradicionais. Na capa, o ator francês Alain Delon em cena no longa “Terei o Direito de Matar”, de 1964 resume a ideia de morte na cabeça inquieta de Morrissey. Há boatos de que o vocalista se desfez de tudo que lembrasse a banda quando eles decidiram terminar em 1987, menos a carta de Alain Delon elogiando o trabalho da banda nesse disco.

Strangeways, Here We Come, 1987

strangeways-here-we-comeO último disco de estúdio dos Smiths saiu em 1987. Intitulado “Strangeways, Here We Come”, o álbum é considerado pelos integrantes da banda como seu melhor trabalho. A segunda parte do título foi tirada do longa “Billy Liar”, de Keith Waterhouse. A ideia original da capa era usar uma cena de Harvey Keitel no longa “Quem bate á Minha Porta”, de 1967, primeiro filme de Martin Scorsese, mas o ator não liberou os direitos de uso da imagem. Então Morrissey optou por usar uma imagem do ator Richard Davalos, no filme “Vidas Amargas”, de 1955, dirigido por Elia Kazan. Nessa cena Davalos está olhando para o personagem de James Dean, um dos ídolos de Morrissey, que inclusive, chegou a escrever um livro sobre o ator.

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Morrissey não é apenas fã de cinema, ele é um ótimo observador que escolheu cuidadosamente todas as capas dos trabalhos dos Smiths, trazendo significação para os álbuns dialogando com o cinema.

Na segunda parte falaremos das escolhas cinematográficas do Morrissey para as capas de singles e coletâneas. Para quem quiser conhecer mais sobre o universo criativo do cantor, recomendamos a leitura do Mozipédia (foto), lançado no Brasil pela editora Leya.

mozipédia-joaquim

Leia Mais:

Autobiografia de Morrissey: Dez Trechos Divertidos

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