JOAQUIM

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Curitiba, 321 anos

“Há uma Curitiba cruel, outra fiel. Uma que aprisiona e maltrata, outra cura tuas feridas com a salivinha gelada dos rocios.

Há uma Curitiba sonâmbula, vigiada por uma lua de ossos contra a qual se lançam os cães da insônia, e uma plácida Curitiba em quarto-crescente, com suas tetas povoadas de êxtases e ternuras”

Em Canto de Amor e Desamor a Curitiba, no livro Como Ser Invisível em Curitiba, de Jamil Snege, Ed. Criar

snege-comosetornarinvisivelCuritiba completa neste sábado 321 anos, e nestas datas não há como deixar de prestar homenagens a esta cidade que nos acolhe e que amamos.
Diz o ditado que quem ama cuida…
E o cuidar deve ir além das frases feitas, enaltecedora de uma Curitiba idealizada e pouco real, de expressões como cidade de primeiro mundo, cidade europeia dos trópicos, capital ecológica do Brasil.

Somos uma cidade brasileira que como todas as grandes cidades deste país continente tem seus encantos e problemas, mas por soberba, omitimos em nosso discurso os problemas e tentamos acreditar nas fantasias.

O cuidar requer conhecer e se reconhecer na cidade construída não só por imigrantes europeus e asiáticos, mas também na grande maioria de brasileiros vindos das mais diversas regiões do país.

É se reconhecer em Leminski’s, Trevisan’s e Valêncio’s Xavier que tão bem representam parte de nossa literatura e que, pasmem, não se parecem em nada com o estereotipo do curitibano médio, ou ainda ouvindo Nho Berlamino e Nhá Gabriela, Beijo AA Força ou Blindagem.

Se reconhecer na Curitiba Underground com suas inúmeras tribos e cores e nos personagens folclóricos que povoam nossas ruas.

Entender que melhorar não passa por uma mudança cosmética de nomes de bairro, mal exemplo que começou lá com a Vila das Torres, depois o Champagnat e agora os vazios de sentido Soho’s e outras bizarrices com Arte Cívico, Jardins, Centro Cultural, mas sim na revitalização social dos espaços públicos da cidade.

Que além de um bom transporte, educação e saúde precisamos mais pedreiras, mais praças, rios limpos, parques (o bom exemplo da luta pelo Parque Gomm), mais espaços para bicicletas, cinemas da Fundação Cultural, feiras culturais, quadras culturais, museus e teatros funcionando, viradas culturais, bibliotecas.

Uma cidade viva, que respeite a diversidade, que trate bem seus moradores.

“Há uma Curitiba de afogados, degolados e suicidas – e sobre essa Curitiba nós clamamos tua indulgência, ó Senhor.

Há uma Curitiba de glutões, vendilhões, usurpadores – e por sobre esta Curitiba de avidez e cobiça nós rogamos que espalhes as cinzas da tua ira.

E há ainda a Curitiba dos puros, dos corações desarmados, daqueles que a cada manhã refazem de qualquer retalho a teia de suas vidas – sobre esses, ó Senhor – velhos, viúvas, operários, menininhos – sobre eles a torrente de tua magnanimidade, porque são eles que que retecem a teia de Curitiba, amém.” (Jamil Snege)

Feliz aniversário a grande Curitiba!

Por Marcos Ramos Duarte, o “Joaquim”.

"Umbigo de Curitiba", Carnaval da Garibaldis e Sacis, foto por Eduardo Baxo

“Umbigo de Curitiba”, Carnaval da Garibaldis e Sacis, foto por Eduardo Baxo

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