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O mitológico Robert Johnson

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Existem apenas três fotografias e 29 músicas, resumidas em 40 faixas, que provam que Robert Leroy Johnson, ou apenas Robert Johnson, realmente existiu. Depois de 103 anos de seu provável nascimento, a figura do importante violonista do chamado Blues do Delta ainda é envolta por mitos e histórias que tornam sua música e importância mais interessantes ainda. O número de guitarristas e artistas em geral influenciados pelo jovem do Mississipi não é pequeno, vai desde Eric Clapton, Keith Richards indo até Jack White e bandas como o Red Hot Chilli Peppers que gravou uma versão de “They’re Red Hot”, de Johnson.

robertjohnson2O que se sabe de fato sobre Robert Johnson não é muita coisa, ele contava que nasceu em uma das fazendas de plantações no Delta e desde muito jovem se sentiu atraído pela música e isso logo se tornou um problema com o padrasto. Johnson saiu de casa e aos 18 anos se casou com a jovem Virginia que viria a falecer em seguida, durante o parto do primeiro filho do casal. Alguns pesquisadores da vida de Robert Johnson acreditam que foi nesse momento que a vida do violonista passa a ser encoberta por lendas pois Robert se tornou mais solitário.

Desolado pela perda da jovem esposa, Johnson tentou mostrar seu trabalho em vários lugares pelo Mississipi. Son House, outra figura fundamental para o blues, contava que Johnson era insistente, porém era um instrumentista fraco e barulhento demais nessa época. Cansado de ouvir que deveria voltar para o Arkansas, onde então a família morava, ele resolveu dar outro rumo para sua vida, sumindo da cena do blues e voltando como um verdadeiro mestre do violão e aí que surge a primeira grande lenda sobre Robert Johnson: o pacto com o diabo em uma encruzilhada.

Em “Crossroads Blues”, uma das canções mais famosas de Robert Johnson, ele relata que foi até uma encruzilhada pedir para Deus ter piedade dele. A história do acordo com o diabo, regado a Whisky e numa encruzilhada do Misissipi, é o mais difundido para explicar os talentos repentinos de Robert Johnson. E se você se perguntar por quais motivos ela ainda persiste, quase 100 anos depois, é porque ela mantém Robert Johnson vivo. As lendas no entorno da figura do violonista foi o que levou muitos jovens a ouvirem Johnson e criarem vários riffs de guitarra que marcaram a história do rock’n’roll.

O preço para Johnson, no famigerado acordo mítico com o Diabo, foi a chamada maldição dos 27 anos ou simplesmente Clube dos 27, que surgia com o cantor de blues e se tornaria mito no decorrer do século XX juntamente com o rock’n’roll: Jimmi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt Cobain e mais recentemente Amy Winehouse são alguns dos nomes que alimentam o famoso mito da idade amaldiçoada para morrer.

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Robert Johnson por Crumb

Sobre a real morte de Robert Johnson, muito se especula mas nada de concreto se sabe. Em sua certidão de óbito, conta apenas como “Sem Médico”, ou seja, qualquer um dos boatos podem ser verdadeiros, seja o whisky envenenado, a pneumonia ou a sífilis. A verdade é que com a falta de fatos concretos sobre Robert, a mídia e o senso comum trataram de criar o mito para explicar a força do blues de Robert Johnson que até hoje causa espanto.

A Columbia Records chegou gravar com Robert Johnson e planejava agendar com ele shows no Carnegie Hall, famoso pelas apresentações incríveis de blues e jazz. O tempo não perdoou e assim como Johnson surgiu, ele acabou indo, deixando a Columbia com apenas duas fotos e músicas que somente conseguiriam ser lançadas na década de 60, mas que iriam render frutos por mais de meio século.

Última foto encontrada de Robert Johnson com Johnny Shines

Última foto encontrada de Robert Johnson com Johnny Shines

No fórum online da Fundação Robert Johnson há um texto interessante sobre a importância do mito do violonista para que ele continue existindo. O fato de Robert Johnson amar tanto a música, aprender a tocar apenas de ouvido e encontrar seu próprio tom em pouco tempo, mantendo a sua figura envolta na escuridão do passado ecoando histórias fantásticas que iriam influenciar tantos talentos, só nos dá o pensamento que se o Diabo existir, não escolhe qualquer um e que faz isso de uma forma muito certeira.

Brincadeiras à parte, basta tocar “Terraplane Blues”, ouvir e sentir com atenção, para saber que Robert Johnson tocava com a alma e que ele continuava sendo um garoto com seu violão, com o olhar distante em alguma grande plantação no Delta, ecoando seus próprios sentimentos sobre tudo e talvez precisemos de mais um século para entender de fato quem foi o rei do Delta.

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