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Jack White e o futuro do Vinil

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“O tamanho, a forma, o cheiro, a textura e o som de um disco de vinil: “Como você explica para um adolescente que não conhece que isso é uma experiência musical mais bonita do que um click de mouse? Você precisa levantar a sua bunda, você precisa pegá-lo pelo braço e levá-lo lá. Você precisa pôr um disco nas mãos dele. Você precisa fazer com que ele deixe a agulha cair no disco. Assim ele vai saber como é.”

Jack White foi o embaixador da Record Store Day de 2013 e fez questão de escrever uma carta aberta (trecho acima e na íntegra aqui) sobre a importância daquele dia, de todas as ações que envolvem o fato de escutar um disco de vinil e principalmente sobre a interação entre as pessoas – numa época que estamos aqui conectados o tempo todo e se relacionando de forma virtual – e como isso nos faz ver o mundo e as relações de outra forma.

O ex-White Stripes estava falando sério sobre a importância de ações como a Record Store Day e outros eventos que movimentem e façam as pessoas circularem pelo comércio independente. As ideias de Jack não são somente vintage ou apenas saudosistas. Ele realmente leva o vinil a sério, há algum tempo ele vem fazendo ações que unem as técnicas antigas de gravação e mixagem ao que há de mais interessante na tecnologia, tudo com um único objetivo: elevar a experiência com o vinil num grau bastante alto.

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Jack White e seu record na Record Store Day 2014

2014 tem se mostrado um ano bastante produtivo para Jack White e sua gravadora Third Man Records. Começando por uma ação na Record Store Day, em abril, White resolveu mostrar a magia da gravação, mixagem e prensagem de um disco de vinil. Em apenas 4 horas ele completou com êxito as etapas para um disco chegar nas mãos de ouvintes. Realizando o feito na sua gravadora independente, Jack White entrou para o guiness como o artista mais rápido em gravar e prensar um disco de vinil.

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A cabine Voice-O-Graph

Há alguns anos a paixão de Jack White pelo vinil fez ele peregrinar atrás de uma máquina chamada “Voice-O-Graph”, dos anos 40. Uma espécie de cabine telefônica em que você pode gravar um áudio e ela prensa isso em vinil. Em abril desse ano Jack White anunciou a nova aquisição e que ninguém menos que Neil Young gravaria um disco usando ela. O disco “A Letter Home” saiu, uma espécie de homenagem que Neil faz à mãe e as músicas que o influenciaram na infância e adolescência, e essa semana ele e White fizeram história no programa do Jimmy Falon, levando a máquina ao estúdio e Young tocando uma canção em um único take. Confira nesse link.

Para completar, uma série de recursos fantásticos marcam a genialidade do chamado ULTRA LP de “Lazaretto”, novo disco de White que está programado para sair no dia 10 de junho. Um anjo holográfico enquanto o disco toca e duas introduções diferentes de uma mesma música são apenas dois recursos de uma lista interessante. Em apenas um ano depois de sua carta aberta, Jack White não perdeu tempo em desenvolver alternativas para a sua constatação de que as novas gerações devam sentir o que um vinil é capaz de causar além da audição.

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O holograma de anjo em “Lazaretto”

Veja todas os recursos do ULTRA LP de “Lazaretto”:

– Vinil em 180 gramas.
– Duas faixas, exclusivas para vinil, escondidas no selo central do disco.
– Uma das faixas escondidas tocará em 78 RPMs e a outra em 45 RPMs, tornando esse disco possível rodar em três rotações diferentes.
– O lado A toca de dentro para fora
– Uso da tecnologia dual-groove: É tocada uma introdução acústica ou elétrica dependendo de onde a agulha for colocada. Os grooves (sulcos) continuam no corpo da música.
– Lado B com acabamento fosco, dando a impressão de um disco nunca tocado de 78 RPMs.
– Ambos os lados terminam com grooves (sulcos) fechados.
– Vinil prensado no raro formato “flat-edged” (com arestas lisas).
– Dentro da pequena área entre o selo e as faixas do lado A é possível ver um holograma de anjo – quando o disco está rodando – criado por Tristan Duke, da Infinite Light Sciende. É o primeiro disco a ter essa tecnologia.
– Nenhuma compressão foi usado na gravação, mixagem e masterização do álbum. Ou seja, não há perda alguma no som.
– A ordem das músicas é completamente diferente da versão em CD e digital. Algumas mixagens também foram feitas de forma exclusiva para o vinil.

No vídeo abaixo você pode ver Jack White e Ben Blackwell explicando a insanidade fantástica por trás de “Lazaretto” e sua versão em vinil. Não há como não confiar em Jack White e no futuro que ele mesmo vai dar para o vinil. A gente agradece.

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