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O que fazer em Curitiba: Vá para a rua!

Férias de verão e nem sempre dá ou é uma boa ideia ir para o litoral. As vezes você prefere ficar numa boa, viajar para um lugar mais calmo, conhecer outros cantos desse vasto Brasil e vem que você decide vir para Curitiba. Desde 2012 nós fazemos um post inaugurando o ano com dicas do que fazer na capital paranaense, Janeiro é um mês agradável na cidade e as ideias são válidas tanto para os que vem passear quanto para o curitibano que quer explorar um pouco mais a cidade. Pois bem, o post de 2015 tem o lema “Vá para a rua!”.

“Mas, pera aí. Tá calor. É verão, poxa”. Sim, é verão, mas em Curitiba o clima é ameno e apesar de ter seus dias bem quentes, em sua maioria o clima é gostoso passeando na casa do 27º, ótimo para caminhar, fazer um piquenique em um parque , tomar algo bem gelado em um bar com bom som, dar um passeio de bike e encontrar uma galera fazendo a mesma coisa que você.

Curitiba vem vivendo uma fase bastante interessante de revitalização dos espaços urbanos, principalmente envolvendo a região central e o centro histórico da cidade, e a nossa lista de lugares para você conhecer vai ser baseada nessa retomada dos moradores sobre a cidade, reaprendendo que a urbe pode ser uma uma extensão de casa ou somente um lugar para se sentir à vontade, parte de um todo.

Parque Gomm

Parque Gomm

Parque Gomm

À primeira vista você pode pensar que o Parque Gomm é apenas uma extensão verde de um shopping de classe alta localizado no bairro Batel, mas essa pequena extensão de área verde tem uma boa história para contar. Assim como acontece na maioria das grandes cidades – condomínios fechados, galerias, shoppings e grandes empreendimentos com suas grandes construções vão tomando conta de espaços antes ocupados por casas com jardins e áreas verdes – parece inevitável resistir ao confronto com as grandes corporações. Mas um grupo de pessoas provou que há sim como resistir.

Em 2013 surgiu um movimento, que agiu principalmente no Facebook, chamado de “Salvemos o Bosque da Casa Gomm”. Na época, moradores da região e de outras partes da cidade foram se movimentando para coibir uma parte do projeto original do shopping que previa que uma das entradas para a garagem cortasse o bosque, levando consigo o resto do verde que sobrou do terreno junto a casa que hoje faz parte do patrimônio histórico da cidade, a casa da família Gomm. Conhecido como o Bosque da Casa Gomm, hoje o espaço se chama Parque Gomm graças à iniciativas bacanas de pessoas que se comprometeram com o espaço. Desde plantações coletivas, trocas de livros, bandas tocando nos gramados, indo até confraternizações com empregados do shopping e festas de aniversários infantis, o espaço passou a respirar em meio a prédios, lojas e um enorme shopping. O parque é de todos e faz você perceber que ainda há vida além do asfalto, carros e o cotidiano típico de uma grande cidade.

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Dica: Acompanhe o facebook do projeto e veja a programação do Parque para ver de perto as ações feitas no espaço. Caso não dê, apenas apareça em uma tarde para sentar lá e fugir do barulho dos carros. Leve um pano e respire um pouco olhando para o céu!

Endereço:

Rua São Francisco

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Dando uma navegada pelo Google, não é difícil encontrar na maioria das listas de lugares em Curitiba o Largo da Ordem como parada obrigatória. Claro, ali estão muitos bares da cidade, que servem as comidas típicas e, como uma porta de entrada para o centro histórico, ele oferece um bela amostra da história da cidade. Mas a nossa dica é que você desça o Largo da Ordem em direção ao centro e encontre a velha e revitalizada Rua São Francisco, conhecida em seus primórdios como a Rua do Fogo.

Carinhosamente conhecida como “A São Francisco”, além de ser nossa vizinha, é uma dos principais cruzamentos da rua Riachuelo que guarda uma longa e boa história no centro da cidade, inclusive virou livro recentemente na mão de duas sociólogas. Durante muito tempo a rua São Francisco teve um ou outro bar funcionando mas ficou relegada a se tornar um lugar cinza e abandonado no centro da cidade, afastando as pessoas como não é incomum nesse tipo de região.

Foto por "Brooklyn Eats & Drinks"

Foto por “Brooklyn Eats & Drinks”

Primeiramente houve um projeto que visava revitalizar as ruas que circulavam a Riachuelo, colocando novos postes, calçadas e paralelepípedo da rua, dando um ar renovado a região. Mas como esse processo só funciona mesmo quando as pessoas usuárias desse espaço urbano se envolvem, desde 2012 uma série de iniciativas culminaram que a São Francisco seja hoje a responsável por uma nova retomada do centro da cidade, como um lugar humanizado e agradável de se estar.

As duas quadras que compõem a rua mostram uma diversidade bacana que denota um pouco o espírito do lugar. Tem de tudo, os bares antigos e os novos para as diversas tribos, restaurantes, cafeterias, lojas independentes, barbearia. Tem comida brasileira, mexicana, latina em geral e hambúrgueres, sem deixar de lado uma excelente variedade de cervejas que cabe em todos os bolsos e gostos. Você pode escolher ficar dentro dos bares conversando ou chamar os amigos para fora, a rua fica cheia nessa época do ano criando um clima agradável e alegre, sempre tem um ou outro artista tocando na rua e recentemente a ideia de pequenos bazares de produtos independente e até zines vem surgindo no mar de ideias de jovens empreendedores empolgados com a região e pensando no sustentável.

Foto por "Negrita Bar"

Foto por “Negrita Bar”

Uma dica bacana é se caso você passe pela região bem cedo, em horário que os bares e alguns estabelecimentos estejam ainda fechados, observe o trabalho bacana que artistas de rua fizeram. A ideia, organizada pela produtora Mucha Tinta foi chamar artistas para criarem ilustrações nas fachadas das lojas da rua, várias figuras da cidade e até o santo que deu nome a rua podem ser encontrados ali com cores e um ar alegre inconfundível no centro.

Dica: Se você gostar de uma boa movimentação chegue depois das 18h, sempre tem um som gostoso saindo de algum ponto da rua. E sobre o que comer, vá inspirado! Difícil escolher um lugar só.

Endereço:

Praça de Bolso do Ciclista

Praça de Bolso do Ciclista

Praça de Bolso do Ciclista

Se você ir até o fim da São Francisco vai desembocar na rua Presidente Faria que há pouco tempo atrás era apenas a “rua das canaletas dos biarticulados” ou que dá acesso ao Passeio Público. Com a criação da Bicicletaria Cultural em 2011 – projeto inclusive premiado internacionalmente – a rua já foi ganhando outros ares. Magrelas podiam ser estacionadas e reparadas, a movimentação cultural foi se tornando inevitável e todo tipo de ação como performances, bazares e cicloativismo foram se tornando parte do cotidiano da região e assim surgiu a necessidade de um espaço exterior, afinal as bicicletas são da rua, e através de um movimento de cidadania, como foi o do Parque Gomm, surgiu a Praça de Bolso do Ciclista.

A construção da Praça de bolso do Ciclista

A construção da Praça de bolso do Ciclista

O pequeno espaço, até então baldio, na esquina da São Francisco com a Presidente Faria, foi ganhando vida na mão de cidadãos empolgados, criativos e dedicados, verdadeiros ativistas do urbano. A praça de bolso ganhou cores, árvores e outras plantas. Ganhou estacionamento de bikes, celebrações, festas, feiras e discussões e hoje é tão requisitada quanto as praças famosas da cidade. Sugerimos que você não deixe de sentar lá uns minutinhos e tirar fotos das artes e plaquinhas penduradas com dizeres e imagens que encorajam uma vida mais pulsante no centro da cidade.

Dica: Todas as quintas de manhã acontece uma feirinha de produtos orgânicos no local, venha de bike e aproveite o dia.

Endereço:

Joaquim Livraria & Sebo

Foto pela Imer360

Foto pela Imer360

Como vizinhos de toda essa movimentação é empolgante ver que a região central está ganhando cores e principalmente, o sentimento de que não estamos sozinhos. A praça de bolso do ciclista e a chamada primavera da rua São Francisco resultou em mais vida, dando mais sentido, ânimo e sintonia para os independentes do Centro da cidade.

Nós somos uma livraria e loja de discos independente que atua com o conceito de sebo no sentido de trabalhar com o que há de raro e clássico em se tratando de usados e em sintonia com as novidades do mercado editorial em se tratando de novos. Somos vizinhos da São Francisco, ficamos na paralela Alfredo Bufren, bem perto do pŕedio histórico da UFPR. Nosso espaço é bem autoral e as paredes, através dos posteres e afins, contam um tanto da história da loja na ativa desde 2006. Sempre vai ter um som rolando e adoramos trocar ideia com os clientes.

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Para nós é muito importante e enriquecedor encontrar pessoas que apoiem o independente, que prefiram sair por aí conhecer novos lugares do que sempre frequentar os velhos lugares. Nós mesmos procuramos sempre ir além da loja física, participamos de bazares, feiras de vinil e outros eventos que nos chamam. Se você busca discos e livros não deixe de passar por aqui dar um “olá” ou mesmo de nos acompanhar nas redes sociais, você também pode ser parte do apoio às lojas, marcas, bares e artistas independentes e só sair ganhando com isso.

Dica: Passe por aqui e escolha um disco para ouvir na hora, fazemos questão que sua visita tenha uma boa trilha sonora.

Esperamos você!

Endereço:

Update:

Ruas Trajano Reis e paralelas

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O bairro São Francisco, junto com uma parte do Mercês, é um dos principais pontos do Centro Histórico de Curitiba. É aqui que você vai encontrar o Largo da Ordem, as Ruínas de São Francisco, a Mesquita Imam Ali ibn Abi Talib, o Museu Paranaense e uma série de outros pontos turísticos que podem ser feitos a pé ou de bike. Se você sentir fome ou querer tomar uma boa cerveja com um som legal basta descer a rua Trajano Reis.

Trajano e paralela tomadas pelas pessoas. Foto por La Santa Bar

Trajano e paralela tomadas pelas pessoas. Foto por La Santa Bar

A rua Trajano Reis começa no largo da Ordem e termina na Praça do Gaúcho ou também conhecida como a praça do skate. São apenas cinco quadras mas a rua é repleta de excelentes opções. Assim como a São Francisco tem para todos os gostos, desde pizza, hamburguer artesanal, comida vegetariana, mexicana e afins. À noite a rua conta com alguns pubs pequenos – e até uma garagem acolhedora – em que rolam DJs, bandas independentes e outras baladas temáticas. Fique ligado também nas ruas paralelas à Trajano como a Paula Gomes e a Inácio Lustosa que tem barzinhos que são pérolas para quem curte rock, punk e folk.

Dica: Fique atento aos nomes do bares e pubs da rua e arredores, tem desde The Clash á filmes do Kubrick.

Endereço:

Então é isso. Depois de conhecer o pequeno oásis verde do Parque Gomm, descer para o centro, pelo bairro São Francisco, passear dar uma descansada na Praça de Bolso do Ciclista e antes de conhecer os bares da São Francisco e da Trajano Reis, dando a volta no quarteirão, passe aqui na Alfredo Bufren trocar uma ideia, ouvir um bom disco ou sentar e ler um bom livro. Há vida além do ar-condicionado e a cidade está pulsante!

Uma dica importante é lembrar que, apesar de toda essa movimentação bonita que está acontecendo no centro de Curitiba é importante que você mantenha os mesmo cuidados de segurança de qualquer outro centro urbano, certo?

Agenda:

2 opiniões sobre “O que fazer em Curitiba: Vá para a rua!

  1. Excelente ideia! Vou certamente fazer o percurso sugerido. Adoro estar em Curitiba nesta época tranquila do ano.

  2. Fátima em disse:

    Amo essa cidade que tão bem me acolheu por 5 anos. Parabéns para os que trabalham para deixa-la mais bonita.

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