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Os Discos mais Vendidos de 2014

montagem-discos-maisvendidos2014 foi mais um ano interessante para o mercado do vinil. Os Estados Unidos e Inglaterra – os maiores mercados do segmento no mundo – registraram aumentos de vendas entre 40% e 50% em relação ao ano anterior. Eventos como a Record Store Day ganharam força e se tornaram fundamentais para o lançamento de edições especiais e limitadas. Artistas como Jack White e sua Third Man Records demonstraram que o mercado do vinil é criativo, e principalmente, corajoso. No Brasil vários artistas estão aderindo à mídia, e o Criolo, por exemplo, com “Convoque seu Buda” nos deixou extasiados com a procura dos fãs pelo disco.

Não dá para reclamar, claro. Mas como nada é feito apenas de bônus o crescimento do vinil também desencadeou alguns desafios novos. A escassez de vários álbuns clássicos, desde os primeiros Led Zeppelin, Pink Floyd, Beatles, discos do chamado post-punk como Joy Division, Siouxsie and the Banshees e Smiths, sem contar as bandas do começo dos anos 90, se tornou um problema para as lojas de discos usados, tornando o produto mais caro. Bons discos de música estão cada vez mais escassos. Fazendo as estatísticas do ano, percebemos que muitos artistas teriam tido mais saída se estivessem disponíveis com mais facilidade.

Outra parte do problema são os tocadores de vinil, desde as antigas radiolas até as novas, por vezes muito caras, que faltam no mercado ou não estão dentro dos nossos orçamentos. E por fim, segundo o jornalista John Harris, em uma excelente matéria no jornal inglês Guardian, um dos desafios das prensagens novas é um problema de velharia, ou seja, as poucas máquinas que prensam vinis no mundo ainda são as mesmas dos anos 70 e 80, falta manutenção e especialistas na área. Como os profissionais vão lidar com esses problemas? Como nós lojistas vamos lidar com esses desafios? Nós ainda não sabemos. O que podemos lhe afirmar é que amamos o que fazemos e adoramos o ruido do bolachão quando posicionamos a agulha no começo do disco. O resto é aprendizagem e que venha 2015.

Vamos aos números de 2014?

Os clássicos internacionais

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Mais uma vez não teve erro, o rock considerado clássico ganhou os primeiros lugares da lista de 2014. Nas primeiras posições Pink Floyd, Beatles e Led Zeppelin mostram que além da grande procura dos discos de época das bandas há uma grande importância nas estilosas reedições ou mesmo reinvenções das bandas como mostrou o Pink Floyd com o álbum novinho lançado no final do ano.

O Led Zeppelin marcou 2014 lançando as primeiras reedições de sua discografia, e os discos não deixaram nada a desejar, incluindo material extra e qualidade gráfica de deixar os olhos brilhando. Os álbuns Led Zeppelin I, II, III, IV e “Houses of the Holy” foram reeditados para todo tipo de bolso. Em 2014 o excelente Led Zeppelin IV foi o álbum mais vendido. Em 2015 tem mais reedição, afinal “Physical Graffiti” completa 40 anos!

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Já os Beatles, quase no fim do ano, fez sucesso com as reedições dos primeiros discos em prenssagens mono, algo que muitos fãs ansiavam, afinal nada como ouvir os discos de sua banda favorita exatamente da forma que eles foram pensados, com a tecnologia da época, não é mesmo?

O que dizer do camaleão David Bowie? Muitos fatores colocam o Starman no topo das listas de bem vendidos. Em menos de dois anos ele voltou com força para a cena musical depois de duas décadas bem mornas. Com clipes provocadores e bem dirigidos/produzidos ele mostra que sua carreira de quase 50 anos não foi construída à toa e nós brasileiros tivemos certeza disso vendo a exposição dedicada a ele no MIS – Museu da Imagem e do Som de SP. Com todo esse contexto favorável Bowie foi o quinto artista mais vendido em 2015. “Pin Ups”, “Space Oddity” e “Alladin Sane” são os discos mais comprados, sempre ótimo receber fãs do camaleão por aqui.

Exposição de David Bowie no MIS. Foto por Claudia Porto

Exposição de David Bowie no MIS. Foto por Claudia Porto

O arroz com feijão brasileiro

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Em se tratando de música brasileira o nosso arroz com feijão vai muito bem. O rock crítico e poético da Legião Urbana ainda se mantém firme e faz com que quase todos os discos da banda sejam disputados. “Que país é este” – o mais vendido – “Dois” e inclusive o duplo “Música para Acampamentos” são ainda a base para uma boa discografia do rock brasileiro.

A lista brasileira ainda segue com Chico Buarque, Caetano Veloso, Titãs e Elis Regina. Apesar dos três primeiros se manterem em carreiras sólidas até hoje são seus álbuns mais clássicos os responsáveis pela maior procura em vinil. Há ainda Secos e Molhados com o ótimo debut de 1973 que é o tipo de álbum procurado tanto por brasileiros como por estrangeiros, um verdadeiro álbum coringa.

A música brasileira é um ótimo exemplo do sumiço de discos no mercado, artistas como Tim Maia, Jorge Ben, Mutantes e Cartola estão se tornando difíceis de se encontrar, e quando aparecem o preço não é dos mais baratos. Estes artistas, se estivessem disponíveis com mais frequência, estariam figurando o topo da lista dos mais vendidos.

Os álbuns destaques do ano


Criolo – Convoque seu Buda

criolo_convoqueseubuda.redimensionadoÉ muito bacana ver um artista brasileiro liderando o ranking de álbuns em vinil mais vendidos do ano. O Criolo vem construindo uma carreira muito interessante no cenário brasileiro, misturando rap com o que há de mais criativo na música brasileira, fortalecendo isso com letras inteligentes, dinâmicas e que colocam o dedo na ferida. “Convoque seu Buda” teve lançamento nacional no começo de novembro e não deixou para ninguém, foi o best-seller do ano. A edição é caprichada e o disco merece ser ouvido com atenção, Criolo tem muito o que dizer!

Arcade Fire – Funeral

funeral.redimensionado“Funeral” é o álbum de estreia do Arcade Fire – que inclusive nessa época foi bem falado por David Bowie – em 2014 o álbum completou uma década e foi um dos discos mais vendidos. O álbum mostra muito do sentimento da banda e as primeiras ideias conceituais que viriam a aparecer com maior ênfase mais adiante. Dedicado às perdas que alguns integrantes tiveram na época, o álbum é um dos melhores do começo dos anos 2000 e viria a ser a base do rock praticado nessa década.

Jack White – Lazaretto

Jack_White_-_Lazaretto.redimensionadoFoi desde o The White Stripes que Jack White começou a construir uma das personalidades mais importantes da música. Hoje ele tem a Third Man Records e é uma das figuras influentes quando o assunto é vinil, como já falamos em “Jack White e o Futuro do Vinil” e “Jack White a Record Store Day“. “Lazaretto” é o segundo álbum solo de White e veio revolucionando, trazendo além de um álbum com um blues-rock firme, uma série de extras para deixar qualquer fã de vinil em polvorosa. Desde uma faixa que roda de trás para a frente, um holograma que só aparece quando o disco está tocando e faixas escondidas no selo de segurança, Jack White e “Lazaretto” são um marco na retomada do vinil.

E em 2015, apostas?

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