JOAQUIM

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Patti Smith lê Jack Kerouac ao som de Thurston Moore e Lenny Kaye

The last hotel
I can see the black wall
I can see the silhouette on the window
He’s talking, at a rhythm
He’s talking, at a rhythm
But, I don’t care
I’m not interested in what he’s saying
I’m only interested in the last hotel
I’m only interested in the fact that it’s the last hotel
Deep, discordant, dark, sweet
The last hotel
The last hotel
Ghosts in my bed
The goats I bled
The last hotel
JACK KEROUAC

Carl Solomon, Patti Smith, Allen Ginsberg e William S. Burroughs

Carl Solomon, Patti Smith, Allen Ginsberg e William S. Burroughs

No livro “Só Garotos” (Companhia das Letras) Patti Smith conta sobre os seus primeiros anos em Nova Iorque, a fuga da jovem do interior que sonhava ser poeta, ler e escrever em algum loft no Village, tomar cafés em lanchonetes baratas e viver na contracultura. Muitas das histórias vividas pela rainha e poeta do Punk no ínicio dos anos 70 soam muito parecidas com os relatos dos homens e mulheres da Geração Beat durante os anos 40 e 50.

Os Beats iriam influenciar as gerações seguintes, os movimentos contraculturais não seriam os mesmos sem os relatos verborrágicos de Jack Kerouac, a poesia certeira e crítica de Allen Ginsberg ou as memórias e poesias das mulheres da época como Diane di Prima e Joyce Johnson, que colocaram um contraponto nas aventuras contadas pelos homens à beira da estrada.

Entre 1954 e 1965, Jack Kerouac desenvolveu várias ideias em relação à poesia associada a sua prosa espontânea. Conhecido por seus romances, Kerouac passou a escrever poemas sobre assuntos corriqueiros associados à situações um tanto oníricas que dessem um ar de fantasia ao verso. Essa produção foi reunida no livro “Pomes All Sizes” (brincadeira com a palavra poema e pomo) e “The Last Hotel” faz parte dessa coletânea. Relatando brevemente sobre o tédio de estar em um lugar – provavelmente já cansado de perambular – ele se vê com a cabeça longe, pensando em quantas camas de hotel dormiu, nas pessoas que se deitaram com ele e na efemeridade disso tudo. Um breve verso que diz muito sobre Jack Kerouac e que iria ser fundamental posteriormente para compositores como Lou Reed e Patti Smith criarem seus versos acompanhados de dissonantes riffs de guitarra.

000000000-0+026.redimensionadoBaseada nessa produção, nos anos 90 uma grande homenagem intitulada de “Kicks Joy Darkness” foi organizada para Jack Kerouac, que mesmo não sendo muito fã de rock – preferia o jazz e bebop – foi agraciado por nomes como Morphine, Michael Stipe (R.E.M), Lydia Lunch, Steven Tyler, Joe Strummer e meio a tantos outros, Patti Smith fez uma versão do poema “The Last Hotel/O Último Hotel” com acompanhamento de violão por Thurston Moore (Sonic Youth) e Lenny Kaye, companheiro de banda. “Last Hotel” poderia muito bem ser uma narrativa sobre os dias que Patti passou com Mapplethorpe no Hotel Chelsea, talvez por isso sua voz se encaixe tão bem no trecho.

patti-thurston-lenny

Lenny Kaye/Patti Smith/Thurston Moore

O último hotel
Consigo ver a parede preta
Consigo ver a silhueta na janela
Ele fala, no ritmo
Ele fala, no ritmo
Mas, eu não ligo
Não me interessa o que ele diz
Só me interessa o último hotel
Só me interessa o fato que esse é o último hotel
Profundo, dissonante, escuro, doce
O último hotel
O último hotel
Fantasmas em minha cama
Corpos lascivos em que suei
O último hotel

(tradução de Emanuela Siqueira)

Ouça o disco completo pelo Spotify abaixo

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