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Desvendando “Blackstar”, último disco de David Bowie

“Há uma quantidade de estrelas negras no álbum…não apenas a estrela, de cinco, pontas, na frente. Elas simbolizam diferentes coisas na vida. Por exemplo, há a “roseta”, que parece um pouco com uma etiqueta de preço. Ou seja, ainda é um produto comercial; você ainda pode comprá-lo. Há a “estrela-guia”, a ideia de uma pessoa que você segue na vida ou algo espiritual que a música te dá. Portanto, há uma série de outras coisas disponíveis, não apenas na superfície, mas espero que as pessoas as vejam. E, também, não necessariamente de forma imediata.” Jonathan Barnbrook

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A morte de David Bowie, em 10 de janeiro de 2016, pegou todo o mundo de surpresa. Havia uma aura de eternidade ao redor do camaleão, talvez por sabermos que ele era formado por múltiplas personalidades significativas, desde o glam Ziggy Stardust ou a faceta mais introspectiva que viveu em Berlim, houve o sóbrio Thomas Jerome Newton – alienígena que veio a terra em busca de água – e thin white duck dos anos 80, sem contar o Bowie industrial, confortável na América, dos anos 90. Quando ouvíamos que poderíamos ser heróis, nem que fosse por apenas um dia, imaginávamos Bowie eternamente sumindo e aparecendo, sempre com uma nova faceta e novas ideias. Em 2013, quando voltou com The Next Day, vimos ele se desconstruir e dizer que estava, literalmente, pronto para a próxima jornada. Desde o fim de 2015 já se ouvia murmurinhos sobre a sequência desse retorno e no oitavo dia de 2016, o sombrio Blackstar já era comentado em todos os cantos do mundo.

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Blackstar já se apresentava clássico, o design de Jonathan Barnbrook era enigmático por si só, disco e embalagem toda preta, com uma estrela recortada na capa. Um álbum que flertava com o jazz e com letras poderosas e reflexivas já tinha todas as qualidades para ser histórico mas, infelizmente, se tornou mitológico por algo que ninguém esperava: a morte de David Bowie, dois dias depois do lançamento. Como toda a obra do artista nas últimas quatro décadas, tudo parece ter sido minuciosamente pensado, como se tivesse deixado uma mensagem de adeus exatamente na sua melhor forma, nos fazendo prestar atenção cuidadosamente na sua arte.

Com o passar dos últimos doze meses muitas descobertas foram feitas no entorno da versão impressa, em vinil, do disco Blackstar, mas, como bem diz o próprio designer, muitas ainda podem surgir, Bowie era incansável. Para celebrar essa obra-prima de despedida do camaleão vamos enumerar os segredos – compilados pela revista Spin – que os fãs descobriram ao longo do último ano. Se surgirem novas descobertas, com certeza vamos adicionar aqui. Hora de desempacotar o disco!

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LUZ REFLETIDA

Quando o vinil é exposto à luz, os lados refletem uma estrela, ou pelo menos é o que parece na imagem. Alguns fãs interpretaram como uma espaçonave ou mesmo um pássaro. Há uma boa possibilidade que seja apenas uma estrela. De qualquer forma, uma ótima ideia.

Crédito: Robert Matthews

Crédito: Robert Matthews

LUZ NEGRA

Toda a embalagem de Blackstar é preta e fosca, com alguns detalhes em verniz e um recorte, em formato de estrela, que expõe o vinil. Um fã descobriu que, quando exposta à uma luz negra, a estrela e os símbolos em verniz brilham, os deixando em evidência e lembrando aquelas estrelas fosforescentes que eram comuns serem coladas nos tetos de quartos.

TERMINAL

Essa é uma das descobertas mais específicas. Um fã descobriu que o tempo das faixas, na parte de trás da embalagem, foi escrita com uma fonte chamada terminal. Essa fonte é encontrada numa plataforma de design open source chamada…Lazarus! O nome da primeira faixa de divulgação do disco, com um clipe bem enigmático. O fã chega a questionar se Bowie estaria nos mandando uma mensagem. Será?

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BOWIE REFLETIDO

Esse achado pode ser mais uma feliz coincidência do que algo mais proposital. A embalagem de Blackstar é gatefold, ou seja, é uma capa dupla. De um lado da capa é possível ver estrelas – igual aquelas noites bonitas estreladas – e do outro lado, David Bowie em uma janela. Como qualquer superfície brilhante, ela reflete. Se você deixar a capa estrelada em determinado ângulo, com a da imagem do cantor na frente, poderá ver Bowie refletido nas estrelas. Muito bacana imaginar o Starman em meio às estrelas, não?

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B.O.W.I.E

Há fragmentos de estrelas, como se fosse um código, na capa do disco, logo abaixo da grande estrela recortada. Prestando atenção, dá para interpretar que as estrelas juntas podem ser lidas como BOWIE. Faz sentido, a estrela completa seria um “O”, a última um “E” e assim por diante. Um fã também lembra que esse disco é o único da carreira do camaleão a não ter o rosto dele na capa. Mesmo The Next Day, é a capa de Heroescom uma faixa em cima. Em Blackstar o cantor não está em imagem, mas em código. Ou melhor, como fragmentos de estrelas que continuam a brilhar no céu.

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STARMAN

Um dos fãs mais atentos passou horas observando a constelação que está na contracapa. Depois de muito olhar ele percebeu uma espécie de ligação entre as estrelas mais brilhantes e isso formaria um desenho rústico de uma pessoa, como um boneco de palitos. Para o fã, faria todo sentido, pois como era conhecido por Starman, nada incomum ter uma formação de estrelas inteirinha para ele.

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De qualquer forma, acreditando ou não em todas essas interpretações, o disco em vinil de Blackstar, o mais vendido em 2016, é um marco histórico para a música, para os fãs é a certeza da grandeza do camaleão musical e visual que era David Bowie.

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