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Elton John, ganha o título de lenda da Record Store Day

“É como entrar numa livraria e sentir o cheiro dos livros. Meu deus, quão bom é isso?”

Já são dez anos que a Record Store Day entrou para o calendário oficial da música mundial. Desde 2007 o terceiro sábado do mês de abril é aguardado por milhares de colecionadores e fãs do vinil espalhados pelo mundo. Apesar do dia oficialmente focar nos Estados Unidos, Inglaterra e alguns outros países, o clima é de festa em muitas lojas de discos espalhadas pelo mundo. Claro que estamos incluídos no grupo de entusiastas! Você pode saber mais sobre a história da data e sobre seus embaixadores nos links que vamos deixar no final desse texto.

Elton John se divertindo e engordando a coleção de discos.

Em 2017, para comemorar em alto estilo essa primeira década, a Record Store Day nomeou ninguém menos que Sir Elton John como a grande lenda do evento. O músico inglês deu um depoimento inspirado (você pode assistir aqui embaixo, sem legendas) contando desde os seu primeiro 45 rotações, falou da emoção de ter o disco 17-11-70 reeditado em vinil durante o evento e ainda descreveu todas as sensações que envolvem aquele prazer característico dos colecionadores. Ressaltou a importância não apenas da sonoridade do disco de vinil – que segundo ele diz, já gravou em muitos estúdios desde o começo da sua carreira e que sim, o som do vinil é o melhor – mas também de todo ritual de escolher o disco e colocar a agulha para trabalhar. Ir às lojas de discos procurar o disco certo para o momento é outro momento ressaltado, diz ele “Eu amo lojas de disco, posso ir a uma em Las Vegas e gastar três horas lá. Apenas sentir o cheiro, dar uma olhada, a maravilha das memórias.”.

Além da nomeação à lenda do evento, a Record Store Day chamou a cantora St. Vincent para ser a embaixadora do evento esse ano. Muitos lançamentos estão previstos para o dia e vários colecionadores já estão fazendo as suas listas. Por aqui vamos comemorar com um acervo caprichado, descontos e muita música rolando durante o dia inteiro. Acompanhe nosso evento no facebook e não perca esse dia em que os fãs do bolachão se encontram para celebrar esse amor em comum.

Mais sobre a Record Store Day

A história da Record Store Day
Jack White & Record Store Day
Dave Grohl, embaixador de 2015

Desvendando “Blackstar”, último disco de David Bowie

“Há uma quantidade de estrelas negras no álbum…não apenas a estrela, de cinco, pontas, na frente. Elas simbolizam diferentes coisas na vida. Por exemplo, há a “roseta”, que parece um pouco com uma etiqueta de preço. Ou seja, ainda é um produto comercial; você ainda pode comprá-lo. Há a “estrela-guia”, a ideia de uma pessoa que você segue na vida ou algo espiritual que a música te dá. Portanto, há uma série de outras coisas disponíveis, não apenas na superfície, mas espero que as pessoas as vejam. E, também, não necessariamente de forma imediata.” Jonathan Barnbrook

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A morte de David Bowie, em 10 de janeiro de 2016, pegou todo o mundo de surpresa. Havia uma aura de eternidade ao redor do camaleão, talvez por sabermos que ele era formado por múltiplas personalidades significativas, desde o glam Ziggy Stardust ou a faceta mais introspectiva que viveu em Berlim, houve o sóbrio Thomas Jerome Newton – alienígena que veio a terra em busca de água – e thin white duck dos anos 80, sem contar o Bowie industrial, confortável na América, dos anos 90. Quando ouvíamos que poderíamos ser heróis, nem que fosse por apenas um dia, imaginávamos Bowie eternamente sumindo e aparecendo, sempre com uma nova faceta e novas ideias. Em 2013, quando voltou com The Next Day, vimos ele se desconstruir e dizer que estava, literalmente, pronto para a próxima jornada. Desde o fim de 2015 já se ouvia murmurinhos sobre a sequência desse retorno e no oitavo dia de 2016, o sombrio Blackstar já era comentado em todos os cantos do mundo.

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Blackstar já se apresentava clássico, o design de Jonathan Barnbrook era enigmático por si só, disco e embalagem toda preta, com uma estrela recortada na capa. Um álbum que flertava com o jazz e com letras poderosas e reflexivas já tinha todas as qualidades para ser histórico mas, infelizmente, se tornou mitológico por algo que ninguém esperava: a morte de David Bowie, dois dias depois do lançamento. Como toda a obra do artista nas últimas quatro décadas, tudo parece ter sido minuciosamente pensado, como se tivesse deixado uma mensagem de adeus exatamente na sua melhor forma, nos fazendo prestar atenção cuidadosamente na sua arte.

Com o passar dos últimos doze meses muitas descobertas foram feitas no entorno da versão impressa, em vinil, do disco Blackstar, mas, como bem diz o próprio designer, muitas ainda podem surgir, Bowie era incansável. Para celebrar essa obra-prima de despedida do camaleão vamos enumerar os segredos – compilados pela revista Spin – que os fãs descobriram ao longo do último ano. Se surgirem novas descobertas, com certeza vamos adicionar aqui. Hora de desempacotar o disco!

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LUZ REFLETIDA

Quando o vinil é exposto à luz, os lados refletem uma estrela, ou pelo menos é o que parece na imagem. Alguns fãs interpretaram como uma espaçonave ou mesmo um pássaro. Há uma boa possibilidade que seja apenas uma estrela. De qualquer forma, uma ótima ideia.

Crédito: Robert Matthews

Crédito: Robert Matthews

LUZ NEGRA

Toda a embalagem de Blackstar é preta e fosca, com alguns detalhes em verniz e um recorte, em formato de estrela, que expõe o vinil. Um fã descobriu que, quando exposta à uma luz negra, a estrela e os símbolos em verniz brilham, os deixando em evidência e lembrando aquelas estrelas fosforescentes que eram comuns serem coladas nos tetos de quartos.

TERMINAL

Essa é uma das descobertas mais específicas. Um fã descobriu que o tempo das faixas, na parte de trás da embalagem, foi escrita com uma fonte chamada terminal. Essa fonte é encontrada numa plataforma de design open source chamada…Lazarus! O nome da primeira faixa de divulgação do disco, com um clipe bem enigmático. O fã chega a questionar se Bowie estaria nos mandando uma mensagem. Será?

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BOWIE REFLETIDO

Esse achado pode ser mais uma feliz coincidência do que algo mais proposital. A embalagem de Blackstar é gatefold, ou seja, é uma capa dupla. De um lado da capa é possível ver estrelas – igual aquelas noites bonitas estreladas – e do outro lado, David Bowie em uma janela. Como qualquer superfície brilhante, ela reflete. Se você deixar a capa estrelada em determinado ângulo, com a da imagem do cantor na frente, poderá ver Bowie refletido nas estrelas. Muito bacana imaginar o Starman em meio às estrelas, não?

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B.O.W.I.E

Há fragmentos de estrelas, como se fosse um código, na capa do disco, logo abaixo da grande estrela recortada. Prestando atenção, dá para interpretar que as estrelas juntas podem ser lidas como BOWIE. Faz sentido, a estrela completa seria um “O”, a última um “E” e assim por diante. Um fã também lembra que esse disco é o único da carreira do camaleão a não ter o rosto dele na capa. Mesmo The Next Day, é a capa de Heroescom uma faixa em cima. Em Blackstar o cantor não está em imagem, mas em código. Ou melhor, como fragmentos de estrelas que continuam a brilhar no céu.

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STARMAN

Um dos fãs mais atentos passou horas observando a constelação que está na contracapa. Depois de muito olhar ele percebeu uma espécie de ligação entre as estrelas mais brilhantes e isso formaria um desenho rústico de uma pessoa, como um boneco de palitos. Para o fã, faria todo sentido, pois como era conhecido por Starman, nada incomum ter uma formação de estrelas inteirinha para ele.

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De qualquer forma, acreditando ou não em todas essas interpretações, o disco em vinil de Blackstar, o mais vendido em 2016, é um marco histórico para a música, para os fãs é a certeza da grandeza do camaleão musical e visual que era David Bowie.

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Como balancear o braço da sua vitrola: Uma guia passo-a-passo

Traduzido do original “How to balance your tonearm: a step-by-step guide” do site The Vinyl Factory.

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Constantemente negligenciado, definir o peso no cabeçote e balancear o braço do toca-discos pode parecer bobo, mas é o ajuste mais importante que você pode fazer para a qualidade do som e ainda proteger tanto a agulha como os discos.

Este artigo irá guiar você pelo processo de configuração da força de trilhagem no cabeçote do toca-discos.

Antes de começar queremos recomendar duas coisas bem importantes. Primeiro: seja paciente. Preste atenção no processo. Na verdade, se concentre para ir com calma e prevenir acidentes. Segundo, se você ler as instruções seguintes e o fabricante do seu toca-discos recomendar um método que contradiz o nosso, siga as instruções do fabricante. Deve haver uma boa razão para que a gente discorde.

Alguns toca-discos requerem que o braço seja instalado no próprio aparelho, outros exigem que você anexe o cabeçote no braço. Esse é um guia para iniciantes, então vamos considerar que ambos esses passos já foram resolvidos para você, como é comum hoje em dia, pelo próprio fabricante. Como fazem as marcas Pro-Ject, Rega e outras que promovem a filosofia de “plugar e tocar” (bem, quase isso) para tornar o processo de instalação o mais fácil e indolor possível, então eles devem completar essas duas tarefas para você.

Por que configuramos o peso? Para permitir que a ponta da agulha possa deslizar fielmente pelas ranhuras, da forma correta. A configuração do peso de trilhagem varia porque os pesos do braço e do cabeçote variam. Se o peso de trilhagem na agulha é pouco, isso fará ela pular e danificar o disco (por isso que pouco peso é mais perigoso que muito). Se você configurar o peso muito acima, a agulha não irá passear pelas ranhuras de forma correta, perdendo informação enquanto a distorção sonora ficará mais evidente e, de novo, há possibilidade de causar danos no disco a longo prazo.

Se você leu as instruções padrão para a configuração do peso de trilhagem, vai encontrar uma série de recomendações sobre a configuração do peso pelo fabricante. Se você se mantiver em algum lugar desses não irá dar errado (ou seja, em uma recomendação que varia de 1.6g – 2.g, escolha 1.8g)

1: NÃO É PERMITIDO ESCORREGAR

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Procure o controle anti-skating. Isso pode ser uma roda giratória com um display numerado ou uma peça do tipo linha de pescar com um peso pendurado na extremidade que fica na barra ou algo do tipo ao redor do braço (as instruções do seu toca-discos irão te guiar para a posição correspondente na configuração). Defina o anti-skating no zero.

2: O APOIO

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O braço do seu toca-discos pode estar afixado a um apoio, no meio dele ou ao longo do seu comprimento, através de um gancho plástico, uma trava ou algo do tipo. Ele é uma espécie de descanso do braço usado normalmente como base entre as execuções dos discos. Solte a trava do apoio, desprenda-o do resto, apoie o braço para prevenir que a agulha caia no prato e diminua a suspensão no braço.

3: EQUILÍBRIO

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Mova a parte traseira do contrapeso para trás e para frente pelo comprimento do braço até que ele se suspenda do descanso e fique livremente (sem qualquer ajuda sua) solto numa posição nivelada.
Agora o braço está com um peso de trilhagem efetivo de 0g. Aperte a trava para que o contrapeso pare mas ainda possa ser movido com leves toques para ajustes específicos.

4: DISQUE ZERO

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Por conta do peso de trilhagem ser, nesta posição cuidadosamente balanceada, efetivamente 0g, você agora pode localizar o dial do peso de trilhagem que normalmente fica no canto do braço, possivelmente na parte móvel do contrapeso. Mova o dial até zero. Nem todo braço virá com um dial conveniente. Se não houver um dial, não se preocupe. Compre você mesmo um medidor de peso de trilhagem para poder confirmar o peso desejado.

5. DIGA SEU PESO

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Se o contrapeso estiver rosqueado, ajuste-o (também irá mover o dial) até alcançar o peso desejado. Se o braço não tiver um dial de contrapeso e nem for rosqueado, apoie o medidor de peso de trilhagem no prato, e a agulha sobre o medidor. Ajuste o contrapeso para trás e para frente até achar o peso desejado. A balança irá dizer quando você encontrou o peso correto.

6. PODE ESCORREGAR

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Quando terminar, coloque o braço de volta no descanso. Agora vá até o dispositivo anti-skating e ajuste-o com os mesmos parâmetros que o peso do braço. Este pequeno dispositivo evita que o braço, literalmente, fique escorregando pelas ranhuras até o final do disco. Coloca os freios no braço, por assim dizer. Pronto! Você conseguiu.

O que fazer em Curitiba: Vá para a rua!

Férias de verão e nem sempre dá ou é uma boa ideia ir para o litoral. As vezes você prefere ficar numa boa, viajar para um lugar mais calmo, conhecer outros cantos desse vasto Brasil e vem que você decide vir para Curitiba. Desde 2012 nós fazemos um post inaugurando o ano com dicas do que fazer na capital paranaense, Janeiro é um mês agradável na cidade e as ideias são válidas tanto para os que vem passear quanto para o curitibano que quer explorar um pouco mais a cidade. Pois bem, o post de 2015 tem o lema “Vá para a rua!”.

“Mas, pera aí. Tá calor. É verão, poxa”. Sim, é verão, mas em Curitiba o clima é ameno e apesar de ter seus dias bem quentes, em sua maioria o clima é gostoso passeando na casa do 27º, ótimo para caminhar, fazer um piquenique em um parque , tomar algo bem gelado em um bar com bom som, dar um passeio de bike e encontrar uma galera fazendo a mesma coisa que você.

Curitiba vem vivendo uma fase bastante interessante de revitalização dos espaços urbanos, principalmente envolvendo a região central e o centro histórico da cidade, e a nossa lista de lugares para você conhecer vai ser baseada nessa retomada dos moradores sobre a cidade, reaprendendo que a urbe pode ser uma uma extensão de casa ou somente um lugar para se sentir à vontade, parte de um todo.

Parque Gomm

Parque Gomm

Parque Gomm

À primeira vista você pode pensar que o Parque Gomm é apenas uma extensão verde de um shopping de classe alta localizado no bairro Batel, mas essa pequena extensão de área verde tem uma boa história para contar. Assim como acontece na maioria das grandes cidades – condomínios fechados, galerias, shoppings e grandes empreendimentos com suas grandes construções vão tomando conta de espaços antes ocupados por casas com jardins e áreas verdes – parece inevitável resistir ao confronto com as grandes corporações. Mas um grupo de pessoas provou que há sim como resistir.

Em 2013 surgiu um movimento, que agiu principalmente no Facebook, chamado de “Salvemos o Bosque da Casa Gomm”. Na época, moradores da região e de outras partes da cidade foram se movimentando para coibir uma parte do projeto original do shopping que previa que uma das entradas para a garagem cortasse o bosque, levando consigo o resto do verde que sobrou do terreno junto a casa que hoje faz parte do patrimônio histórico da cidade, a casa da família Gomm. Conhecido como o Bosque da Casa Gomm, hoje o espaço se chama Parque Gomm graças à iniciativas bacanas de pessoas que se comprometeram com o espaço. Desde plantações coletivas, trocas de livros, bandas tocando nos gramados, indo até confraternizações com empregados do shopping e festas de aniversários infantis, o espaço passou a respirar em meio a prédios, lojas e um enorme shopping. O parque é de todos e faz você perceber que ainda há vida além do asfalto, carros e o cotidiano típico de uma grande cidade.

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Dica: Acompanhe o facebook do projeto e veja a programação do Parque para ver de perto as ações feitas no espaço. Caso não dê, apenas apareça em uma tarde para sentar lá e fugir do barulho dos carros. Leve um pano e respire um pouco olhando para o céu!

Endereço:

Rua São Francisco

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Dando uma navegada pelo Google, não é difícil encontrar na maioria das listas de lugares em Curitiba o Largo da Ordem como parada obrigatória. Claro, ali estão muitos bares da cidade, que servem as comidas típicas e, como uma porta de entrada para o centro histórico, ele oferece um bela amostra da história da cidade. Mas a nossa dica é que você desça o Largo da Ordem em direção ao centro e encontre a velha e revitalizada Rua São Francisco, conhecida em seus primórdios como a Rua do Fogo.

Carinhosamente conhecida como “A São Francisco”, além de ser nossa vizinha, é uma dos principais cruzamentos da rua Riachuelo que guarda uma longa e boa história no centro da cidade, inclusive virou livro recentemente na mão de duas sociólogas. Durante muito tempo a rua São Francisco teve um ou outro bar funcionando mas ficou relegada a se tornar um lugar cinza e abandonado no centro da cidade, afastando as pessoas como não é incomum nesse tipo de região.

Foto por "Brooklyn Eats & Drinks"

Foto por “Brooklyn Eats & Drinks”

Primeiramente houve um projeto que visava revitalizar as ruas que circulavam a Riachuelo, colocando novos postes, calçadas e paralelepípedo da rua, dando um ar renovado a região. Mas como esse processo só funciona mesmo quando as pessoas usuárias desse espaço urbano se envolvem, desde 2012 uma série de iniciativas culminaram que a São Francisco seja hoje a responsável por uma nova retomada do centro da cidade, como um lugar humanizado e agradável de se estar.

As duas quadras que compõem a rua mostram uma diversidade bacana que denota um pouco o espírito do lugar. Tem de tudo, os bares antigos e os novos para as diversas tribos, restaurantes, cafeterias, lojas independentes, barbearia. Tem comida brasileira, mexicana, latina em geral e hambúrgueres, sem deixar de lado uma excelente variedade de cervejas que cabe em todos os bolsos e gostos. Você pode escolher ficar dentro dos bares conversando ou chamar os amigos para fora, a rua fica cheia nessa época do ano criando um clima agradável e alegre, sempre tem um ou outro artista tocando na rua e recentemente a ideia de pequenos bazares de produtos independente e até zines vem surgindo no mar de ideias de jovens empreendedores empolgados com a região e pensando no sustentável.

Foto por "Negrita Bar"

Foto por “Negrita Bar”

Uma dica bacana é se caso você passe pela região bem cedo, em horário que os bares e alguns estabelecimentos estejam ainda fechados, observe o trabalho bacana que artistas de rua fizeram. A ideia, organizada pela produtora Mucha Tinta foi chamar artistas para criarem ilustrações nas fachadas das lojas da rua, várias figuras da cidade e até o santo que deu nome a rua podem ser encontrados ali com cores e um ar alegre inconfundível no centro.

Dica: Se você gostar de uma boa movimentação chegue depois das 18h, sempre tem um som gostoso saindo de algum ponto da rua. E sobre o que comer, vá inspirado! Difícil escolher um lugar só.

Endereço:

Praça de Bolso do Ciclista

Praça de Bolso do Ciclista

Praça de Bolso do Ciclista

Se você ir até o fim da São Francisco vai desembocar na rua Presidente Faria que há pouco tempo atrás era apenas a “rua das canaletas dos biarticulados” ou que dá acesso ao Passeio Público. Com a criação da Bicicletaria Cultural em 2011 – projeto inclusive premiado internacionalmente – a rua já foi ganhando outros ares. Magrelas podiam ser estacionadas e reparadas, a movimentação cultural foi se tornando inevitável e todo tipo de ação como performances, bazares e cicloativismo foram se tornando parte do cotidiano da região e assim surgiu a necessidade de um espaço exterior, afinal as bicicletas são da rua, e através de um movimento de cidadania, como foi o do Parque Gomm, surgiu a Praça de Bolso do Ciclista.

A construção da Praça de bolso do Ciclista

A construção da Praça de bolso do Ciclista

O pequeno espaço, até então baldio, na esquina da São Francisco com a Presidente Faria, foi ganhando vida na mão de cidadãos empolgados, criativos e dedicados, verdadeiros ativistas do urbano. A praça de bolso ganhou cores, árvores e outras plantas. Ganhou estacionamento de bikes, celebrações, festas, feiras e discussões e hoje é tão requisitada quanto as praças famosas da cidade. Sugerimos que você não deixe de sentar lá uns minutinhos e tirar fotos das artes e plaquinhas penduradas com dizeres e imagens que encorajam uma vida mais pulsante no centro da cidade.

Dica: Todas as quintas de manhã acontece uma feirinha de produtos orgânicos no local, venha de bike e aproveite o dia.

Endereço:

Joaquim Livraria & Sebo

Foto pela Imer360

Foto pela Imer360

Como vizinhos de toda essa movimentação é empolgante ver que a região central está ganhando cores e principalmente, o sentimento de que não estamos sozinhos. A praça de bolso do ciclista e a chamada primavera da rua São Francisco resultou em mais vida, dando mais sentido, ânimo e sintonia para os independentes do Centro da cidade.

Nós somos uma livraria e loja de discos independente que atua com o conceito de sebo no sentido de trabalhar com o que há de raro e clássico em se tratando de usados e em sintonia com as novidades do mercado editorial em se tratando de novos. Somos vizinhos da São Francisco, ficamos na paralela Alfredo Bufren, bem perto do pŕedio histórico da UFPR. Nosso espaço é bem autoral e as paredes, através dos posteres e afins, contam um tanto da história da loja na ativa desde 2006. Sempre vai ter um som rolando e adoramos trocar ideia com os clientes.

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Para nós é muito importante e enriquecedor encontrar pessoas que apoiem o independente, que prefiram sair por aí conhecer novos lugares do que sempre frequentar os velhos lugares. Nós mesmos procuramos sempre ir além da loja física, participamos de bazares, feiras de vinil e outros eventos que nos chamam. Se você busca discos e livros não deixe de passar por aqui dar um “olá” ou mesmo de nos acompanhar nas redes sociais, você também pode ser parte do apoio às lojas, marcas, bares e artistas independentes e só sair ganhando com isso.

Dica: Passe por aqui e escolha um disco para ouvir na hora, fazemos questão que sua visita tenha uma boa trilha sonora.

Esperamos você!

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Update:

Ruas Trajano Reis e paralelas

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O bairro São Francisco, junto com uma parte do Mercês, é um dos principais pontos do Centro Histórico de Curitiba. É aqui que você vai encontrar o Largo da Ordem, as Ruínas de São Francisco, a Mesquita Imam Ali ibn Abi Talib, o Museu Paranaense e uma série de outros pontos turísticos que podem ser feitos a pé ou de bike. Se você sentir fome ou querer tomar uma boa cerveja com um som legal basta descer a rua Trajano Reis.

Trajano e paralela tomadas pelas pessoas. Foto por La Santa Bar

Trajano e paralela tomadas pelas pessoas. Foto por La Santa Bar

A rua Trajano Reis começa no largo da Ordem e termina na Praça do Gaúcho ou também conhecida como a praça do skate. São apenas cinco quadras mas a rua é repleta de excelentes opções. Assim como a São Francisco tem para todos os gostos, desde pizza, hamburguer artesanal, comida vegetariana, mexicana e afins. À noite a rua conta com alguns pubs pequenos – e até uma garagem acolhedora – em que rolam DJs, bandas independentes e outras baladas temáticas. Fique ligado também nas ruas paralelas à Trajano como a Paula Gomes e a Inácio Lustosa que tem barzinhos que são pérolas para quem curte rock, punk e folk.

Dica: Fique atento aos nomes do bares e pubs da rua e arredores, tem desde The Clash á filmes do Kubrick.

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Então é isso. Depois de conhecer o pequeno oásis verde do Parque Gomm, descer para o centro, pelo bairro São Francisco, passear dar uma descansada na Praça de Bolso do Ciclista e antes de conhecer os bares da São Francisco e da Trajano Reis, dando a volta no quarteirão, passe aqui na Alfredo Bufren trocar uma ideia, ouvir um bom disco ou sentar e ler um bom livro. Há vida além do ar-condicionado e a cidade está pulsante!

Uma dica importante é lembrar que, apesar de toda essa movimentação bonita que está acontecendo no centro de Curitiba é importante que você mantenha os mesmo cuidados de segurança de qualquer outro centro urbano, certo?

Agenda:

Jack White e o futuro do Vinil

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“O tamanho, a forma, o cheiro, a textura e o som de um disco de vinil: “Como você explica para um adolescente que não conhece que isso é uma experiência musical mais bonita do que um click de mouse? Você precisa levantar a sua bunda, você precisa pegá-lo pelo braço e levá-lo lá. Você precisa pôr um disco nas mãos dele. Você precisa fazer com que ele deixe a agulha cair no disco. Assim ele vai saber como é.”

Jack White foi o embaixador da Record Store Day de 2013 e fez questão de escrever uma carta aberta (trecho acima e na íntegra aqui) sobre a importância daquele dia, de todas as ações que envolvem o fato de escutar um disco de vinil e principalmente sobre a interação entre as pessoas – numa época que estamos aqui conectados o tempo todo e se relacionando de forma virtual – e como isso nos faz ver o mundo e as relações de outra forma.

O ex-White Stripes estava falando sério sobre a importância de ações como a Record Store Day e outros eventos que movimentem e façam as pessoas circularem pelo comércio independente. As ideias de Jack não são somente vintage ou apenas saudosistas. Ele realmente leva o vinil a sério, há algum tempo ele vem fazendo ações que unem as técnicas antigas de gravação e mixagem ao que há de mais interessante na tecnologia, tudo com um único objetivo: elevar a experiência com o vinil num grau bastante alto.

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Jack White e seu record na Record Store Day 2014

2014 tem se mostrado um ano bastante produtivo para Jack White e sua gravadora Third Man Records. Começando por uma ação na Record Store Day, em abril, White resolveu mostrar a magia da gravação, mixagem e prensagem de um disco de vinil. Em apenas 4 horas ele completou com êxito as etapas para um disco chegar nas mãos de ouvintes. Realizando o feito na sua gravadora independente, Jack White entrou para o guiness como o artista mais rápido em gravar e prensar um disco de vinil.

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A cabine Voice-O-Graph

Há alguns anos a paixão de Jack White pelo vinil fez ele peregrinar atrás de uma máquina chamada “Voice-O-Graph”, dos anos 40. Uma espécie de cabine telefônica em que você pode gravar um áudio e ela prensa isso em vinil. Em abril desse ano Jack White anunciou a nova aquisição e que ninguém menos que Neil Young gravaria um disco usando ela. O disco “A Letter Home” saiu, uma espécie de homenagem que Neil faz à mãe e as músicas que o influenciaram na infância e adolescência, e essa semana ele e White fizeram história no programa do Jimmy Falon, levando a máquina ao estúdio e Young tocando uma canção em um único take. Confira nesse link.

Para completar, uma série de recursos fantásticos marcam a genialidade do chamado ULTRA LP de “Lazaretto”, novo disco de White que está programado para sair no dia 10 de junho. Um anjo holográfico enquanto o disco toca e duas introduções diferentes de uma mesma música são apenas dois recursos de uma lista interessante. Em apenas um ano depois de sua carta aberta, Jack White não perdeu tempo em desenvolver alternativas para a sua constatação de que as novas gerações devam sentir o que um vinil é capaz de causar além da audição.

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O holograma de anjo em “Lazaretto”

Veja todas os recursos do ULTRA LP de “Lazaretto”:

– Vinil em 180 gramas.
– Duas faixas, exclusivas para vinil, escondidas no selo central do disco.
– Uma das faixas escondidas tocará em 78 RPMs e a outra em 45 RPMs, tornando esse disco possível rodar em três rotações diferentes.
– O lado A toca de dentro para fora
– Uso da tecnologia dual-groove: É tocada uma introdução acústica ou elétrica dependendo de onde a agulha for colocada. Os grooves (sulcos) continuam no corpo da música.
– Lado B com acabamento fosco, dando a impressão de um disco nunca tocado de 78 RPMs.
– Ambos os lados terminam com grooves (sulcos) fechados.
– Vinil prensado no raro formato “flat-edged” (com arestas lisas).
– Dentro da pequena área entre o selo e as faixas do lado A é possível ver um holograma de anjo – quando o disco está rodando – criado por Tristan Duke, da Infinite Light Sciende. É o primeiro disco a ter essa tecnologia.
– Nenhuma compressão foi usado na gravação, mixagem e masterização do álbum. Ou seja, não há perda alguma no som.
– A ordem das músicas é completamente diferente da versão em CD e digital. Algumas mixagens também foram feitas de forma exclusiva para o vinil.

No vídeo abaixo você pode ver Jack White e Ben Blackwell explicando a insanidade fantástica por trás de “Lazaretto” e sua versão em vinil. Não há como não confiar em Jack White e no futuro que ele mesmo vai dar para o vinil. A gente agradece.

Ah! Os Novos! Versão 1.4

vynilAqui na Joaquim sempre estamos ligados em (quase) tudo do meio musical. Além daqueles clássicos básicos que rolam na nossa vitrola – e merecem sempre serem revisitados – tentamos ouvir os músicos e bandas que se anda falando nos principais meios especializados do assunto dentro e fora do país.

Quando se fala em “bandas novas”, e aqui englobamos um período que começa ali nos anos 2000, logo se deduz downloads e streamings pela internet e quando se pensa em meio físico, pilhas de caixinhas acrílicas de CDs. Pensamento errado! No ano passado reunimos 10 bandas que ficaram conhecidas no mundo todo graças à internet – e muitas das bandas liberam suas músicas de forma gratuita – mas que não abrem mão de ter o seu material em vinil, em edições caprichadas com excelentes trabalhos de designers talentosos. E sem querer contar vantagem, algumas das bandas citadas no post entraram para nossa de lista de vinis mais vendidos do ano, basta pensar em Tame Impala, Alt-J e Alabama Shakes.

Na lista desse ano, você vai perceber que existem bandas que estão aí na labuta há mais de 10 anos, mas como citado acima, no começo dos anos 2000 o vinil já era em muitos lugares do mundo, um objeto de decoração e o mercado já tinha tornado ele obsoleto. Então anota aí, a Joaquim recomenda!

The National

A voz de barítono de Matt Berninger é um dos maiores charmes da banda americana The National. Os caras já foram apontados como uma banda de post-punk revival pelas suas melodias e letras dramáticas mas é bem complicado colocá-los numa tag de estilo. Desde 2001 a banda só vai somando fãs por onde se ouve a voz – por muitas vezes sob o efeito de álcool – de Matt e o último álbum de 2013, “Trouble Will Find Me” saiu numa caprichada edição dupla em vinil.

Savages

Mais uma banda que recebe a alcunha de post-punk revival, talvez pela semelhança da vocalista Jehnny com Ian Curtis do Joy Division, mas que com certeza ultrapassa os limites do estilo. Uma banda totalmente formada por mulheres, com letras críticas sobre o papel da mulher no mundo moderno e ao mesmo tempo passa a uma larga distância da militância das Riot Grrrls dos anos 90. O “Savages” é principalmente uma banda de palco, com uma verve que renova o rock atual, escute cada faixa de”Silence Yourself” e se deixe contaminar.

Bosnian Rainbows

Omar Rodríguez-López é o tipo de cara que não consegue ficar parado por um segundo. Conhecido principalmente pelo “The Mars Volta”, quando a banda entrou em hiato ele não perdeu tempo em conseguir parcerias para suas idéias malucas e em 2012 formou o Bosnian Rainbows com o também “Mars Volta” Deantoni Parks e a vocalista da banda mexicana “Les Butcherettes”, Teri Gender Bender. O som da banda é inclassificável, passando pelo rock alternativo e bebendo de música eletrônica, não deixa nada a desejar para fãs de música experimental. O debut homônimo vale a ouvida além da versão em vinil variar com as cores do bolachão.

Fique ligado nesses!

Atoms for Peace

Se você apertar o play na música abaixo vai entender tudo. Sim, a voz do “Atoms for Peace” é de Thom Yorke, na verdade a banda é uma superbanda formada por Radiohead + Red Hot Chilli Peppers + R.E.M e o um toque brasileiro do percussionista Mauro Refusco. O álbum de estreia “Amok”, de 2013, mostra que Thom Yorke não quer parar tão cedo e está cada vez mais propenso á experimentações.

Cut Copy

O “Cut Copy” foi formado em 2001 e foi se tornando uma referência na música eletrônica durante essa década. A banda australiana começou com um projeto de Dan Whitford para gravar som caseiros de suas experimentações que remetem muito ao som eletrônico oitentista. A banda alcançou sucesso em 2007 com o álbum “In Ghost Colours”, que é excelente para aquele fim de semana em que você pode afastar os móveis da sala e dançar!

Mumford and Sons

Não podemos nos esquecer do folk rock! Os anos 2000 foram excelentes para o gênero. Na segunda metade da década surgiu ao oeste de Londres uma espécie de movimento em que o Mumford and Sons, juntamente com outros como Laura Marling and Noah and the Whale, tornaram o folk inglês moderno conhecido mundo afora. O som dos caras é uma delícia, empolgante na medida certa, perfeito para manter o bom humor no dia. Recomendamos o álbum Sigh no More, de 2009 e tente ouvir sem cantarolar.

Lorde

Elogiada por David Bowie, a jovem neozelandesa Lorde – pseudônimo que vem da sua fascinação pela realeza – se tornou um fenômeno no último ano. Com seu disco de estreia “Pure Heroine” ela emplacou sucesso com o single “Royals” em que faz uma crítica sobre a ostentação da juventude de que ela mesma faz parte. O estilo é pop e pegajoso, lembrando um pouco a Lana Del Rey, mas quem disse que isso é ruim?

Vampire Weekend

O indie rock parece de tempos em tempos se reinventar e surgir com alguma banda que cai nas graças do público que a torna algo impossível de não se ouvir. O Vampire Weekend esteve em pelo menos nove de dez listas de melhores de 2013, com o álbum “Modern Vampires of the City”. A banda já existe desde 2006 e circulava entre o público alternativo mas foi nos últimos anos que a banda se tornou uma febre indie. Se você gosta de um pouco de saudosismo adolescente com pegadas empolgadas, não deixe de ouvir.

The Civil Wars

Apesar de estarem em hiato, o “The Civil Wars” representa muito bem o folk atual americano. O duo Joy Williams e John Paul White chegam a lembrar as épocas mais dramáticas entre Cash e June, fazendo isso da forma mais contemporânea possível. Na última Black Friday da Record Store Day a dupla lançou um 10’ com a cover “Between the Bars” do Elliott Smith, arrepiante! Dê o play aí embaixo.

Tinariwen

A grande revelação da banda “Tinariwen” é que eles são do deserto do Saara. Todos os músicos são parte do povo Tuareg – nômades e pastores – e tocam o chamado “blues do deserto”. Vendo vídeos no youtube você vai perceber que os caras arrasam nas performances. Os cara acabaram de lançar “Emmaar” pela Anti Records. Se vocẽ tem um ouvido para música criativa e original, dê o play.

Todas as bandas citadas nesse post lançaram seus trabalhos em vinil, muitas em edições exclusivas incluindo o CD e link para download em alta qualidade. Afinal, amor pelo vinil não tem limites e espaço para todos os formatos.

Gostaria de indicar ou saber se alguma outra banda atual lança seus álbuns em vinil? Mande um e-mail para nós ou mensagem no Facebook.

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Ah! Os Novos!

Os Discos Mais Vendidos de 2013

Os Discos Mais Vendidos de 2013

vinilnacabeça Há quase um ano atrás publicamos este texto no blog falando sobre os artistas mais vendidos da loja desde 2006, quando iniciamos nossos trabalhos. É incrível como em 365 dias o cenário do mercado de vinil passou por novas e excelentes transformações. Claro, todas as novidades no cenário da música colaboraram para que o vinil saísse do papel de uma tímida mídia saudosista, para um protagonismo atuante com o CD e inclusive os downloads legais e – por que não – ilegais via web.

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Fatos como o retorno triunfante de David Bowie, por exemplo, e o seu instigante “The Next Day” mostrou que o camaleão tem vigor suficiente para alimentar sua imagem seja nas mídias analógicas e tecnológicas. Ou, o que dizer do álbum “Random Access Memories”, atual trabalho da dupla Daft Punk, que simplesmente trouxe vigor ao gênero Disco e colocou as vendas de LPs lá nas alturas?

bowie+daftpunk

Sem muitas delongas sobre o ótimo momento que nós fãs de vinis estamos passando, vamos falar de dados concretos conforme nossas vendas de 2013, enumerando os artistas e álbuns mais vendidos. Claro, sem deixar de confirmar o favoritismo dos clássicos, afinal, não amaríamos tanto os long plays se não fossem os criativos anos 60, 70, 80…

Para os que torcem o nariz para as bandas novas, fica a dica de que tem muita galera jovem fazendo um som bacana e estes estão lançando seus trabalhos, em muitos casos exclusivamente em vinil. A multiplicação de selos independentes não deixa a gente mentir. Nossos destaques do ano vão para quatro excelentes descobertas do mundo musical:

Os Novos!

Tame Impala
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Os australianos só lançaram o seu primeiro “Innerspeaker” em 2010 mas já estavam tentando desde 2009. Não tem jeito, os dois álbuns da banda que , traz toda a psicodelia sessentista, sem deixar de ser indie e levemente dançante, não conseguem ficar muito tempo na caixa dos “Novos e Lacrados”. Para quem não lembra, no começo de 2013 a gente já apostava nos caras.

 

Alabama Shakes
alabamashakesA voz de Brittany Howard aquece o coraçãozinho de qualquer fã de black music. O Alabama Shakes também tem ótima influências do passado sem esquecer um dos pés no presente. O show dos caras foi ótimo no Lollapalooza de 2013 e os colocou o “Boys & Girls” num posto de destaque nas vendas.

 

Of Monsters and Men
ofmonstersandmen-myheadAh! A Islândia! Em meio a músicas que falam de dragões, montanhas e muita animação folk, os jovens islandeses foram conquistando os brasileiros com vários singles com refrões de grudar na orelha e dar aquela animação. O álbum de estreia “My Head is an Animal” impressionou e foi muito procurado durante o ano passado.

 

Charles Bradley
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Por aqui brincamos que o Charles Bradley é o filho não reconhecido do James Brown, dá para entender a dimensão do talento do cara, né? O Bradley não é jovem e nem começou ontem a cantar, mas graças ao selo Daptone ele tem trazido vigor ao Soul. Tente ouvir “No Time for Dreaming” inteiro sem fazer os pêlos do braço eriçarem!

 

Álbuns Destaques do ano

13, do Black Sabbath
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Vários artistas tiveram retorno triunfante em 2013. Conhecido como um número supersticioso o “13” pegando fogo foi o título do álbum-não-apenas-reunião do Black Sabbath. Rolou até turnê e muita gente juntou todas as moedas para ver os caras aqui no Brasil. Saudosismo ou não, o álbum teve destaque merecido na nossa lista.

 

Like Clockwork, do Queens of the Stone Age
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Josh Homme e cia acertam sempre. O Queens of the Stone Age tem um histórico de álbuns que podem agradar todo tipo de fã de stoner rock, além de atrair as atenções à arte, que dessa vez ficou a cargo do ótimo britânico que assina como Boneface. Um disco duplo para deixar os fãs animados!

 

Random Access Memories, do Daft Punk
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A dupla conhecida por seus capacetes espelhados raramente deixa os fãs na mão. Em 2013 o Daft Punk foi um dos grandes responsáveis por elevar a venda de discos em vinis. Não por menos, o álbum “Random Access Memories” traz todo o vigor conhecido da dupla mas ao invés de apenas samplear sons e fazer suas conhecidas criações eletrônicas, trouxeram uma roupagem da era Disco trazendo inclusive Giorgio Moroder, praticamente um papa dos sintetizadores do Disco dos anos 70.

Clássicos são sempre clássicos

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A empolgação com as formas que as bandas e artistas novos vem aderindo ao vinil, com certeza foi destaque em 2013. Mas claro, observando a lista dos dez artistas mais vendidos você não vai notar nada de diferente daquela que mostramos no ano passado. Beatles, Pink Floyd e Led Zeppelin são os responsáveis por boa parte da procura nos vinis usados e inclusive, os novos. Do lado de cá, Tim Maia, Legião Urbana, Jorge Ben e claro, Chico Buarque sempre tem lugar na lista. E arriscamos prever uma tendência para 2014, muitos lançamentos de música brasileira em vinil. Aguardemos!

Você já fez a sua lista dos melhores álbuns de 2013? Ou quais vinis realmente enriqueceram a sua coleção? Não deixe de compartilhar com a gente, aqui na caixa de comentários ou lá no Facebook!

Jack White & Record Store Day

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O Record Store Day – que já falamos aqui – é um sucesso a cada ano em que acontece. Os sites especializados já dizem que 2013 foi o melhor ano desde que o evento começou em 2007. Em épocas que se anunciam os fins dos livros, da música e do além-virtual, eventos como o Record Store Day mostram que podemos conviver muito bem com as tecnologias e a boa virtualização da cultura e assim que desligarmos nossos computadores, tirar aquele LP da coleção, colocar a agulha para funcionar e simplesmente apreciar o momento.

Abaixo, segue na íntegra a bela carta que Jack White – o embaixador do evento esse ano – deixou para todos, fãs ou não de vinis. White pede que acordemos uns aos outros, afinal o mundo não parou de girar porque os computadores estão sempre ligados. Vale a leitura!

Anos atrás alguém me disse que 1.200 alunos de escolas participaram de uma enquete. Uma pergunta foi feita para eles: “Você já visitou uma loja de discos?”. O número de alunos que responderam “sim” foi… zero.

Zero? Como isso pode ser possível? Então, eu me questionei de forma realista: “Vocês podem culpá-los?”. Como lojas de discos (ou qualquer loja com a mesma finalidade) podem competir com Netflix, TiVo, video games que precisam de meses para serem finalizados, TV por assinatura, SMS, internet, etc. etc.? Se levantar de sua cadeira em casa para experimentar algo no mundo real começou a ficar algo raro e, para muitas pessoas, algo desnecessário. Para que ir em uma loja de livros e comprar um livro de verdade? Você pode baixá-lo. Para que falar com outras pessoas, discutir sobre autores diferentes, estilos de escrita e influências? Apenas dê um click no seu mouse. Bem, aqui está algo que eles vão aprender algum dia se eles tiverem uma alma: “Não há romance em um click de mouse”. Não há beleza em ficar sentado por horas jogando video games (alguém orgulhoso disso vai parar de ler agora e publicar sua opinião no fórum mais próximo). A tela de um iPhone é conveniente, mas não se compara com a exibição de um filme em 70 mm em um cinema. A internet é bidimensional…útil e divertida, mas não substitui uma interação cara a cara com um ser humano. Mas todos sabemos tudo isso, certo? Bem, sabemos mesmo? Talvez sabemos tudo isso, mas, e daí?

Vamos acordar uns aos outros.

O mundo não parou de girar. Lá fora, pessoas ainda estão se encontrando cara a cara, trocando ideias e estão se conectando. Casas de arte estão exibindo filmes, pessoas estão tomando café e contando histórias, mulheres e homens estão se confundindo e lojas de discos estão vendendo discos cheios de uma essência que você ainda não sentiu. Então, qual o motivo de nós nos escondermos em nossas cavernas e nos contentarmos com o eco? Nós sabemos melhor. Nós deveríamos, pelo menos. Nós precisamos nos reeducar sobre a interação humana e sobre a diferença entre fazer o download de uma música em um computador e falar com outras pessoas pessoalmente e se conectar com a música que você pode segurar em suas mãos e compartilhar com os outros. O tamanho, a forma, o cheiro, a textura e o som de um disco de vinil: “Como você explica para um adolescente que não conhece que isso é uma experiência musical mais bonita do que um click de mouse?”. Você precisa levantar a sua bunda, você precisa pegá-lo pelo braço e levá-lo lá. Você precisa por um disco nas mãos dele. Você precisa fazer com que ele deixe a agulha cair no disco. Assim ele vai saber como é.

Vamos acordar uns aos outros.

Como Embaixador do Record Store Day de 2013, eu estou muito orgulhoso em ajudar, de qualquer maneira, a revigorar quem quer que ouça com a ideia de que há mais beleza e romantismo no ato de visitar uma loja de discos e se transformar em algo novo que pode mudar o jeito das pessoas olharem o mundo, olharem as outras pessoas, olharem a arte e, por último, olharem para si.

Vamos acordar uns aos outros.

Jack White

10 dicas para cuidar do seu Vinil

viniltreasureSe você coleciona discos de vinis, ou é simplesmente um simpatizante dos adoráveis Long Plays, já sabe que os nossos queridos amigos sonoros merecem uma atenção toda especial para que continuem nos dando alegrias por muito tempo. Andando por feiras de discos você não se pergunta como alguns vinis estão firmes e forte há mais de 30, 40 anos sem afetações na sonoridade? Pois não é nada impossível, sintetizamos os principais cuidados que você deve ter com seu disco de vinil:

vinil-iconeO primeiro cuidado que você tem que ter é ao manipular o seu disco. Evite ao máximo tocar no vinil, segure ele nas bordas ou pela etiqueta. Os dedos carregam muita sujeira, as impressões digitais carregam gordura – que são insolúveis na água – além de poeira.

vinil-iconeNão assopre o vinil achando que assim você elimina partículas de poeira. Na verdade, você vai acabar passando mais partículas abrasivas através do seu hálito.

vinil-iconeOs vinis devem sempre estar guardados ou expostos em lugares arejados e limpos com frequência. Ou seja, pouca umidade e temperaturas nas casas dos 15º a 30º celsius. Extremos de temperaturas podem causar empenamento do disco, ou seja, rachaduras ou fendas fatais para eles. Lembre-se também que umidade causa mofo e ele se alastra rapidamente, materiais vinilicos podem ser belos lares para fungos.

vinil-iconeOs discos devem se manter guardados nas suas respectivas capas protetoras. Use o plástico externo para proteger a capa e o plástico ou capa de papel interna para proteger o disco.

vinil-iconeOpte em guardar sua coleção de discos em lugares que eles fiquem na posição vertical. O material de vinil corre o risco de entortar se receber peso sobre si ou ficar exposto ao calor.

vinil-iconeSempre que ouvir o vinil limpe ele antes de guardar. O disco de vinil possui eletricidade estática e acaba atraindo vários tipos de partículas que prejudicam a sonoridade do som ou ainda faz ele dar aos famosos “pulos” durante a execução das faixas.

vinil-iconeLimpe também o prato do aparelho que toca os vinis. Você pode usar um pincel macio, uma pequena escova ou um aspirador de pó portátil, do tipo usado para limpar estofamentos de carros.

vinil-iconeA escolha e a manutenção da agulha do aparelho de toca-discos também é importante. Por exemplo, em caso de discos estéreos as laterais da agulha apóiam-se nas laterais das ranhuras. Quando a agulha fica gasta, ela adquire faces pontiagudas que destroem facilmente estes sulcos do disco e precisam ser substituídas.

vinil-iconeTenha cuidado ao colocar a agulha no disco, nunca solte-a em cima do mesmo. Arranhões de agulha quase sempre são irrecuperáveis.

vinil-iconeLave o disco com água corrente e detergente neutro. Não tem problema se você molhar o selo porque ele servir como apoio para lavar o disco fazendo movimentos movimentos circulares com esponja de lavar pratos, lembre-se de usar a parte macia. Assim que lavado, deixe o vinil secar sozinho no escorredor de pratos e nunca o seque com pano e nem o deixe no sol.

Se você seguir essas dicas seus queridos LPs vão durar muito tempo ainda! Usa outras formas para manter o seu disco intacto, bonito e audível? Compartilhe com a gente nos comentários. No mais, coloca um vinil aí na vitrola!

Godard e Jefferson Airplane

Já dizem os saudosistas que poucas coisas que aconteceram na década de 60 podem se repetir hoje ou num futuro próximo. Imaginem vocês, lá pelos idos de 1968, o auge da psicodelia, das campanhas anti-guerra e em favor da paz, o flower power de um lado e do outro na Europa a cultura local em busca de uma identidade própria criticando o mundo através do cinema. Vocês conseguem juntar esses dois momentos em um só? Pois nós, sim!

Em plena Manhattan, em Nova York, a banda Jefferson Airplane decidiu que faria uma performance no terraço de um prédio no conhecido bairro. Na época, afirmaram que ¨era mais barato fazer essa performance e ir para a cadeia do que contratar um assessor de imprensa¨ disse o vocalista Grace Slick. Mas mal sabiam que alguém, em um prédio do outro lado da rua, estava filmando a apresentação da banda, ninguém menos que Jean-Luc Godard.

jefferson_airplane

a banda Jefferson Airplane

O cineasta francês já era conhecido pelo mundo afora por ser um dos precursores do movimento cinematográfico Nouvelle Vague e por dirigido filmes com os dois pés na polêmica e em busca de um estilo próprio. O vídeo, que depois virou famoso no youtube, mostra muito bem a fase que Godard vivia naquela época com muitos zoom in e out e um manuseio de câmera que quase beirava ao amadorismo. Bobagem afirmar isso, o cineasta nesse momento queria mesmo era ter plena consciência do que uma câmera era capaz e que grande experiência seria fazer isso com uma banda que vivia uma ótima fase.

A execução de The House at Pooneil Corners fica mais interessante ainda vista pelas lentes de Godard. Com uma vocação de um grande diretor de videoclipes (lembrando que eles não existiam oficialmente) ele dá um ar de dramaticidade incrível aos músicos mesclando com cenas das pessoas pelas janelas dos prédios, sacadas e nas ruas, todas realmente impressionadas com aquele show ao ar livre. Com certeza, um marco do encontro de dois movimentos, ambos querendo ousar e nós realmente gostamos disso.

Quer conhecer mais ainda sobre o Godard? Temos na Joaquim o excelente (e raro) o Introdução a uma verdadeira história do Cinema (Martins Fontes), um conjunto de transcrições das palestras do cineasta para alunos do Conservatório de Arte Cinematográfica de Montreal em que ele discorre uma relação dos seus filmes com os que formaram a sua identidade dinematográfica.

E para os fãs da clássica banda Jefferson Airplane temos vinis novos e usados, segue a lista embaixo:

Bark (1971) Usado

Takes off (1966) Novo

Surrealistic Pillow (1967) Novo

Jefferson Airplane (1989) Reunion – Usado

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